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Com quantas letras e números se conta uma história?

Por Marco Antônio Cruz – assessoria de imprensa FSF

Suely Amorim de Lima

 

Ela havia feito aniversário no dia anterior e Suely Amorim de Lima não sabia se acabara de completar 57 ou 58 anos, mas estava certa de ter nascido em 17 de dezembro de 1964. “Agora que eu comecei a estudar de novo eu vou saber certinho”, disse esperançosa.

A iniciativa de voluntários da Fraternidade sem Fronteiras, Sonhar sem Fronteiras, permitiu a Suely tornar real o sonho de escrever e aprender matemática. A mulher negra, de olhar vibrante e cabelos começando a branquear, já está acolhida há oito meses na Clínica da Alma, parceira do Projeto Fraternidade na Rua – polo de Campo Grande – MS, para o tratamento da dependência química.

Nos números de Suely há um casamento de 20 anos, quatro filhas e dois netos. Tal qual a idade, há números sendo descobertos em sua história, como a quantidade de dias que já sente saudade e os quilômetros de distância que a separa dos netos, que vivem com a mãe em Natal, RN.

“Tenho família lá fora. Tenho meu esposo. Eu estou aqui há oito meses e ele já veio duas vezes. Sábado ele veio e falou que após as festas, em janeiro, ele virá pra cá. Ele é alcoólatra. Disse que vai vir. Eu também tenho quatro filhas. Todas eram usuárias de drogas, mas já voltaram para a igreja”. 

Mesmo com sua fala marcante e objetiva, Suely também sente necessidade de expressar-se na escrita: “O que eu mais gosto de estudar é a matemática. Mas também quero aprender a escrever para eu mandar uma cartinha para os meus netos e minhas filhas”, relatou emocionada. Há alguns meses, Suely fez uma chamada de vídeo e pôde ver os netos. 

“Eu faço meus crochês e meus tapetes pra eu poder comprar um celular simples e poder ver meus netinhos que moram lá em Natal. Se Deus quiser eu vou juntar meu dinheirinho e vou conseguir comprar. A minha filha que usava drogas conheceu uma igreja e foi lá pra cidade de Natal. Aqui é um pouco difícil de falar, mas a pastora conseguiu o número dela e eu vi os meus netinhos. E eu vou ver de novo, porque eu vou conseguir meu celular que Deus vai me dar”, planeja Suely.

Moradora do bairro São Conrado, há cerca de 10 km do centro de Campo Grande, MS, ela conheceu a Clínica da Alma por meio de uma colega com quem fazia uso de drogas.

“Ela sempre me chamava, mas eu nunca vinha, porque eu tenho meu esposo lá fora. Daí no dia que eu fui receber meu auxílio emergencial, passou um casal que me viu, eu estava bem magrinha, já estava pensando na droga que ia comprar e eles me perguntaram se eu queria aceitar Jesus. Eu falei que ‘já nasci, então eu já aceitei Jesus’. Daí eles falaram ‘nós sabemos, mas a senhora aceita viver com Ele?’. Daí me deram o endereço e eu vim”.

Perto dos 60 anos, Suely Amorim de Lima segue se recuperando e buscando realizar sonhos interrompidos. Segue contando sua história, compreendendo o que lhe foi subtraído e os valores que lhe vão sendo somados.

“Deus abençoe vocês que vem de tão longe. Pra você ver como é que Jesus nos ama tanto: as pessoas vem de tão longe para nos ver. Eu sinto muita alegria, Deus traz pessoas com aquele amor puro pra vir atrás da gente que não tem valor”.

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