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Fotógrafa deixou casa e oportunidades em Belo Horizonte para ser, por um mês, voluntária da FSF em Roraima

 

 

“Eu aprendi aqui que, nós, seres humanos, precisamos doar e não precisamos ter muito para isso. Eu pensava sempre que eu não tinha muita coisa para entregar, mas percebi que eu não entendia muito sobre o assunto. Aqui descobri o verdadeiro sentido de tudo”, contou Mayra Mendes, fotógrafa voluntária em Roraima. 

A vida nunca foi muito monótona para Mayra Mendes. Mineira de Belo Horizonte, aos 37 anos, carrega com ela duas grandes paixões que apareceram em momentos diferentes. Ao sair da escola, Mayra passou no vestibular no curso de Ecologia e se apaixonou pela vida animal e pela natureza. Dessa vida de observadora, no final da faculdade, enquanto trabalhava em um zoológico da capital mineira, passou a não mais apenas observar, mas também a eternizar momentos, a fotografar os animais.

 

 

Mayra então deixou o trabalho de ecóloga de lado e há quase 10 anos se dedica à fotografia, cobrindo casamentos, aniversários, fazendo ensaios. Nas horas vagas, como ‘hobby’, gosta das fotos do cotidiano, dos animais e do esposo que é músico, bacharel em flauta transversal, e toca sempre nas noites mineiras. Falando no esposo da Mayra, ele deu o pontapé inicial para que ela pudesse viver algo que há muito tempo ela queria. Lembra que lá no início falamos em nada de monotonia? Pois bem! O esposo da Mayra, Frederico Campos, é terceiro sargento do Exército Brasileiro e, como todo familiar de militar, ela sempre esteve de malas prontas. Mais ainda para uma experiência humanitária.

“Eu vim aqui para Boa Vista para acompanhar meu esposo que é militar do exército, é músico da banda do exército, e veio trabalhar na Operação Acolhida, e me propus a vir ficar cerca de 2 meses com ele e construir algo aqui”, começou contando a fotógrafa. E assim ela fez. Primeiro conseguiu trabalhar como fotógrafa freelancer em alguns eventos. Mas foi além. Pesquisou sobre as organizações que desenvolviam trabalho com pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas e chegou até nós. Mayra cedeu algumas horinhas do seu olhar apaixonado e profissional para os Centros de Acolhimento do Projeto Brasil, um coração que acolhe, da Organização humanitária e Não-Governamental Fraternidade sem Fronteiras, em Roraima, em especial o São Vicente 2.

Ela passou manhãs e tardes registrando o cotidiano, as equipes trabalhando, os espaços físicos e a comunidade, principalmente as crianças. Mayra também esteve na fronteira do Brasil com a Venezuela, no município de Pacaraima, onde a crise migratória é ainda mais visível e trágica, com centenas de pessoas vivendo em situação de rua. Conheceu o trabalho realizado no Centro de Capacitação e Referência, o CCR. Mesmo emocionada, chegando quase a desmaiar, fotografou cada momento. 

Interessante é olhar o produto final dessa vivência, as fotos, e ver o amor de quem as tirou e a gratidão de quem estava sendo capturado pelas lentes profissionais.  “A palavra chave é amor. Essa palavra que eu uso para descrever o que eu vivi. Eu cheguei aqui, no primeiro dia, sem conhecer ninguém. Veio então uma criança, abraçou a minha perna e sorriu. Eu vim para doar, para acolher, mas em poucos minutos eu fui a acolhida. É uma relação de acolhimento mútuo o que acontece aqui e isso me tocou muito”, continuou contando Mayra. 

Talvez esse seja um desejo seu. Na verdade, o voluntariado é uma vontade de muitos. Deixar tudo para trás para se doar a uma vida humanitária é difícil. Mesmo que por um curto período. Mas é uma troca  que fica. 

“As fotos que eu fiz aqui, eu revi para editar e entregar para a comunidade e os colaboradores. Mas eu não preciso olhar para lembrar. O rosto, o sorriso e o olhar de cada criança estão eternizados na minha memória. E sempre vão ficar. É indescritível, eu não tenho palavras. Desapegar está sendo muito difícil. Eu aconselho para todos essa experiência. Você aprende com o outro muito mais. Eu tenho certeza que eu estou voltando para casa uma pessoa muito melhor”, concluiu Mayra sobre a experiência.

Antes de voltar para Belo Horizonte, nossa voluntária revelou boa parte das fotos e distribuiu para os acolhidos que protagonizavam elas. Gratidão por todo afeto, por todo amor empenhado e dedicação ao Projeto Brasil, um coração que acolhe.

Que tal viver essa experiência de voluntariado? Fica aqui o convite para você!

 

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