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Acolhimento, proteção e esperança para quem foi forçado a recomeçar

Com atuação no Burundi e no Malawi, FSF apoia mais de 3,4 mil pessoas refugiadas e vítimas do deslocamento forçado na África

Por Laureane Schimidt – assessoria de imprensa FSF

No dia 20 de junho, o mundo volta seu olhar para a realidade das pessoas refugiadas por meio do Dia Mundial do Refugiado, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover conscientização, empatia e solidariedade diante de uma das maiores crises humanitárias da atualidade. 

Atualmente, o deslocamento forçado é uma das maiores crises humanitárias do planeta. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) apontam que, até junho de 2025, mais de 117,3 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar em decorrência de perseguições, conflitos armados, violência, violações de direitos humanos e situações que comprometeram gravemente a ordem pública. Isso significa que mais de uma em cada 70 pessoas no mundo vivem atualmente longe de seu local de origem por motivos alheios à própria vontade.

Diante dessa realidade, a Fraternidade Sem Fronteiras (FSF) mantém projetos humanitários voltados ao acolhimento e ao desenvolvimento de pessoas refugiadas e vítimas do deslocamento forçado no continente africano. Atualmente, a organização atua diretamente no Burundi, por meio do projeto Órfãos do Congo, e no Malawi, com o projeto Nação Ubuntu, beneficiando mais de 3.400 pessoas.

Refugiados e migrantes: por que não são a mesma coisa?

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, refugiados e migrantes vivem realidades distintas.

Os migrantes deixam seus países por decisão própria, geralmente motivados por oportunidades de trabalho, estudo, reunificação familiar ou pela busca de melhores condições de vida.

Já os refugiados são pessoas forçadas a fugir. Elas abandonam seus lares para escapar de guerras, perseguições políticas, religiosas ou étnicas, violência generalizada e graves violações de direitos humanos. Em muitos casos, partir não é uma escolha, mas a única alternativa para preservar a própria vida e a segurança dos familiares.

Compreender essa diferença é fundamental para reconhecer os direitos específicos garantidos internacionalmente às pessoas refugiadas e para fortalecer uma cultura de acolhimento e solidariedade.

A crise humanitária na República Democrática do Congo

A República Democrática do Congo enfrenta uma das mais graves e prolongadas crises humanitárias do mundo. Há mais de três décadas, conflitos armados envolvendo grupos rebeldes e milícias têm provocado um ciclo contínuo de violência, deslocamentos forçados e violações de direitos humanos. Nos últimos anos, a intensificação dos confrontos no leste do país agravou ainda mais a situação, levando milhões de pessoas a abandonar suas casas em busca de segurança.

Entre os mais afetados estão as crianças. Muitas perderam seus pais em decorrência da guerra, da violência ou das condições extremas geradas pelo conflito. Sem proteção familiar, elas ficam expostas à fome, ao trabalho infantil, ao recrutamento por grupos armados, à exploração e a diversas formas de violência, tendo interrompidos não apenas seus estudos, mas também a possibilidade de uma infância segura e digna.

Foi diante dessa realidade que a Fraternidade Sem Fronteiras (FSF) criou, em 2021, o projeto Órfãos do Congo. A iniciativa resgata e acolhe crianças órfãs retiradas de áreas afetadas pelos conflitos, oferecendo uma oportunidade concreta de reconstrução de suas vidas.

Hoje, 326 crianças vivem em lares mantidos pela organização no Burundi, país vizinho à República Democrática do Congo. Além de alimentação, moradia e cuidados de saúde, elas têm acesso à educação, acompanhamento socioemocional, proteção e um ambiente seguro para voltar a sonhar com o futuro. 

Nação Ubuntu e o desafio do Campo de Refugiados de Dzaleka

Outra importante frente de atuação da FSF acontece no Malawi, ao lado do Campo de Refugiados de Dzaleka.

O local abriga pessoas provenientes principalmente de Ruanda, da República Democrática do Congo e do Burundi, que precisaram deixar seus países devido a guerras, perseguições e instabilidade política.

Com uma população estimada em cerca de 60 mil pessoas, Dzaleka enfrenta desafios relacionados ao acesso à alimentação, água potável, saneamento básico, moradia, educação e oportunidades de trabalho. A crescente chegada de refugiados pressiona ainda mais a infraestrutura disponível e amplia as necessidades humanitárias da região.

Nesse contexto, a Fraternidade Sem Fronteiras desenvolve o projeto Nação Ubuntu, uma iniciativa voltada para o fortalecimento da autonomia das famílias refugiadas. O projeto promove ações de educação, capacitação profissional, agrofloresta, produção sustentável, geração de renda e desenvolvimento comunitário.

Atualmente, mais de 3 mil pessoas refugiadas são diretamente beneficiadas pelas atividades desenvolvidas pela organização. No entanto, a demanda continua crescendo: a fila de espera para atendimento é cerca de 20 vezes maior do que a capacidade atual de acolhimento.

Fraternidade que ultrapassa fronteiras

Mais do que oferecer assistência emergencial, a Fraternidade Sem Fronteiras busca criar condições para que crianças, jovens e famílias possam reconstruir suas vidas com autonomia, segurança e esperança.

Somados, os projetos Órfãos do Congo e Nação Ubuntu garantem mais de 3.400 acolhimentos, a distribuição de 172 mil refeições por mês e a permanência de cerca de 2 mil estudantes na escola.

No Dia Mundial do Refugiado, a organização reforça a importância da solidariedade internacional e do compromisso coletivo com a proteção daqueles que foram obrigados a deixar tudo para trás. Em um mundo marcado por deslocamentos cada vez maiores, acolher não é apenas um gesto de generosidade, é um compromisso com a humanidade que compartilhamos. 

Como apoiar

Todos os projetos da Fraternidade Sem Fronteiras são mantidos por meio de doações e do apadrinhamento, com contribuições mensais a partir de R$ 35.

Para conhecer os projetos e tornar-se padrinho ou madrinha, acesse: https://apadrinhe.fraternidadesemfronteiras.org.br/pf 

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