Grupo inicia uma nova etapa de vida no Burundi com segurança, moradia, documentação e acesso à educação
Por Laureane Schimidt – assessoria de imprensa FSF
A Fraternidade Sem Fronteiras resgatou 39 jovens, com idade entre 15 e 18 anos, que permaneceram na República Democrática do Congo após a operação de resgate realizada pela organização em fevereiro de 2025. Agora, 30 deles estão no Burundi,após uma mobilização para viabilizar a saída do país e chegarem em segurança ao país.
Por serem mais velhos, os 39 jovens não puderam deixar o país junto com as crianças durante a operação realizada no ano passado. Em meio aos conflitos armados, havia preocupação com a segurança do grupo e o risco de serem confundidos com meninos soldados por grupos rebeldes. Desde então, a FSF manteve o acompanhamento e o suporte à distância, garantindo necessidades essenciais, como alimentação, água e proteção, enquanto buscava alternativas seguras para cada um deles.
Dos 39 jovens, nove conseguiram localizar familiares na própria República Democrática do Congo e retornaram para suas famílias. Eles continuam recebendo apoio temporário do projeto enquanto reconstroem suas vidas.
Um novo começo no Burundi
Para receber os 30 jovens, a FSF alugou uma casa no Burundi e iniciou as providências necessárias para esta nova etapa. A organização também viabilizou a documentação do grupo e as matrículas nas escolas. Entre eles, um jovem já se prepara para iniciar a faculdade de Contabilidade.
“O acolhimento busca ir além das necessidades imediatas. A proposta é criar condições para que os jovens possam construir seus próprios caminhos com segurança, dignidade e autonomia”, explica o coordenador do Projeto Órfãos do Congo, Maick Mutej. Para isso, a FSF também avalia possibilidades de formação profissional e geração de renda com a implantação de uma segunda padaria ligada ao projeto.
Entenda os resgates
A chegada dos jovens ao Burundi dá continuidade à operação realizada pela FSF em fevereiro de 2025, diante do agravamento dos conflitos armados na República Democrática do Congo. Na ocasião, a organização retirou do país 327 crianças acolhidas pelo projeto Órfãos do Congo. Entre crianças e colaboradores, 366 pessoas foram levadas para o Burundi em uma operação realizada por terra, em um percurso de pouco mais de 200 quilômetros.
O resgate ocorreu em etapas e exigiu planejamento logístico, transporte e providências para garantir a documentação necessária para a saída legal do país. No Burundi, a FSF alugou inicialmente duas casas para receber as crianças.
A mudança representou o recomeço do projeto Órfãos do Congo em um novo país. Criado em novembro de 2021, o projeto atua no acolhimento de crianças órfãs em situação de extrema vulnerabilidade em decorrência dos conflitos armados na República Democrática do Congo, oferecendo proteção, alimentação, moradia, educação e assistência.
“Para nós, acolher não termina no resgate ou quando conseguimos levar essas crianças e jovens para um lugar seguro. Acolher também é permanecer presente, criar oportunidades e oferecer condições para que cada um possa reconstruir sua trajetória com dignidade e autonomia. Seguimos caminhando com esses jovens, pensando não apenas nas necessidades de hoje, mas também nos próximos passos, na educação, na formação profissional e nas possibilidades para que construam o próprio futuro”, afirma o fundador-presidente da Fraternidade Sem Fronteiras, Wagner Moura Gomes.
Lar FSF no Burundi
Ainda no Burundi, a Fraternidade Sem Fronteiras concluiu as obras e a mudança para o centro de acolhimento próprio que tornou-se o lar das 327 crianças resgatadas da República Democrática do Congo em fevereiro de 2025.
Construído em uma área de cinco hectares em menos de um ano, o novo espaço conta com duas vilas de casas, refeitório, padaria, escola, lavanderia, poço artesiano e áreas de lazer e convivência. A estrutura foi planejada para oferecer moradia, educação, alimentação e condições adequadas para o desenvolvimento das crianças em um ambiente seguro.

