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Felly Zihalirwa: líder Ubuntu que encontrou na educação um caminho para transformar vidas

Após deixar a República Democrática do Congo e reconstruir a vida como refugiado no Malawi, ela ajudou a criar a Nação Ubuntu e hoje coordena as áreas de educação e recursos humanos da Fraternidade Sem Fronteiras em Madagascar

Por Laureane Schimidt

Em 22 de janeiro de 2015, Felly Bazibuhe Zihalirwa deixou a República Democrática do Congo (RDC) em busca de segurança. Aos 23 anos, iniciou uma jornada que passaria por diferentes países e seria marcada por uma das perdas mais profundas de sua vida.

Felly partiu acompanhado da mãe e de duas irmãs, mas a família acabou se separando durante a fuga. Sua mãe faleceu nesse processo. Em meio às incertezas, ele buscou segurança inicialmente em Ruanda e na Tanzânia, até chegar ao Malawi.

Em abril de 2015, encontrou refúgio no campo de Dzaleka. Ali, entre milhares de pessoas que também haviam sido obrigadas a deixar seus países, começaria a reconstruir sua trajetória.

De Dzaleka para uma nova caminhada

Felly viveu no Malawi por quatro anos. Foi nesse período que sua história começou a se conectar com a mobilização que mais tarde daria origem à Nação Ubuntu.

Em 2016, ele conheceu Clarissa Paz, que se aproximou dos jovens refugiados e conheceu os sonhos e iniciativas que eles buscavam desenvolver dentro da comunidade. Dois anos depois, em 2018, conheceu Wagner e, para ele, aquele momento representou a possibilidade de transformar em ação algo que já vinha sendo construído coletivamente.

“Esse encontro tornou nosso sonho realidade”, resume.

Ele começou como voluntário, trabalhando ao lado de outros refugiados para apoiar tanto quem vivia em Dzaleka quanto as comunidades locais do entorno.

Da mobilização à Nação Ubuntu

Em 2018, Felly participou da criação da Nação Ubuntu, projeto da Fraternidade Sem Fronteiras no Malawi. A iniciativa nasceu do protagonismo dos líderes Ubuntu e da união em torno de um propósito comum: criar oportunidades e contribuir para a transformação da realidade vivida por refugiados e comunidades locais.

A atuação de Felly esteve especialmente ligada ao apoio e ao fortalecimento da comunidade. O trabalho desenvolvido no Malawi abriu também novas possibilidades para que ele colocasse seus conhecimentos a serviço de outras realidades.

Em 2019, em maio, iniciou um novo capítulo de sua história: deixou o Malawi para atuar com a organização em Madagascar.

Uma nova missão em Madagascar

Atualmente, Felly coordena os departamentos de educação e recursos humanos da FSF em Madagascar. A atuação dele envolve acompanhar o funcionamento dos programas educacionais e apoiar as equipes que trabalham diariamente junto às comunidades em situação de vulnerabilidade.

O refugiado que precisou reconstruir a própria vida em outro país passou, assim, a contribuir diretamente para a construção de novas oportunidades para outras pessoas.

Hoje casado e pai de dois filhos, uma menina de 7 anos e um menino de 2, Felly construiu uma trajetória que atravessou fronteiras e diferentes funções, do trabalho voluntário em Dzaleka à responsabilidade de coordenar áreas fundamentais para o desenvolvimento das ações da FSF em Madagascar.

Prosperar juntos

A essência do Ubuntu, segundo Felly, estrutura-se na verdadeira essência humana e se constrói na relação com o outro. 

“Ubuntu significa complementaridade. Reflete a ideia de que estamos interconectados e que nossa humanidade se realiza por meio de nossos relacionamentos com os outros”, explica.

Essa compreensão também orienta a forma como enxerga o desenvolvimento individual e coletivo.

“Só podemos prosperar juntos, apoiando e incentivando uns aos outros.”

É uma definição que se conecta à própria trajetória de Felly: uma história construída por encontros, apoio, oportunidades e, posteriormente, pela escolha de também contribuir para abrir caminhos para outras pessoas.

Uma história que chega às telas

A trajetória de Felly é uma das histórias retratadas em “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados”, documentário que apresenta a mobilização de quatro refugiados congoleses e o movimento que deu origem à Nação Ubuntu no Campo de Refugiados de Dzaleka.

Ao lado de Maick Mutej, Prince Kalolo e Frank Donatien, Felly é um dos líderes Ubuntu que protagonizam a produção, levando às telas uma história de deslocamento, reconstrução, protagonismo e transformação coletiva.

“Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” estreia nos cinemas brasileiros no dia 12 de novembro, apresentando ao público a trajetória de pessoas que encontraram no princípio “eu sou porque nós somos” não apenas uma filosofia, mas uma maneira de construir novos caminhos.

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