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Sorrisos africanos no Vaticano

Artista plástica, madrinha e, para crianças e jovens de Moçambique, uma professora. Valéria Pinheiro saiu do Rio Grande do Sul para conhecer de perto os sorrisos que estampam suas telas. As obras foram parar na exposição “Mostra Artisti Brasiliani, Argentini, Portoghesi e Italiani”, no Vaticano. Participante da caravana de abril, Valéria mostrou as crianças e adolescentes de Moçambique como a arte pode ser simples e, exibindo o resultado dessa experiência, levou desenhos que as próprias crianças fizeram para dividir espaço com grandes artistas na mostra.

Desde 2015, Valéria participa da exposição coletiva e, a cada ano, embarca para a Itália com uma série diferente. Nessa edição, a proposta foi as crianças africanas. O que se viu foi o reflexo de quando a solidariedade encontra a arte. Além dos quadros, Valéria propagou o trabalho da Fraternidade em entrevistas, explicando como funciona o apadrinhamento da ONG, além de compartilhar com artistas e com o público em geral a inspiração que a África lhe trouxe.

“Nada melhor do que quem esteve lá para explicar. Eu pude ver tudo isso de perto”, sustenta.

Foi em janeiro deste ano que a artista conheceu o trabalho da Fraternidade e já estruturou um projeto de arte para atender adolescentes e jovens de Moçambique. “Parece que a gente é picado por um bichinho e se apaixona pelas crianças. Eu acredito muito que a arte é algo que a gente pode trabalhar e ajudar para inserir essas crianças e para que elas tenham um outro modelo de vida”, sente.

Para a exposição, as pinturas foram feitas a partir de retratos das crianças atendidas pela ONG. Com um olhar singular, Valéria ilustrou a serenidade com que os pequenos desde cedo aprendem a lidar com a vida. “Quero chamar atenção para a causa, mas acredito que se possa fazer isso de uma forma mais tranquila, serena, como são realmente as crianças, com toda aquela alegria, humildade e educação que elas têm”, explica.

No tempo em que esteve na caravana, a artista realizou oficinas que viraram um grande e belo projeto. O resultado delas saiu das mãozinhas africanas: cerca de 20 desenhos. “Quando comecei a oficina, fiz uma linha do tempo para contar um pouco da história. Quando eu perguntava o que era arte e se eles gostavam, muitos nem sabiam me dizer o que era. Mas eu explicava que eles faziam arte quando cantavam, dançavam”, relata Valéria.

Falando de si, dos gostos pela pintura, por desenho e pelo estudo, ela viu despertar sonhos nas crianças, que, quando falados, saíam timidamente. Diferente do que aconteceu ao passarem para o papel. “Percebi que eles estavam com medo de falar, medo do que o outro ia pensar, talvez da distância que eles tinham daquela possibilidade de profissão”, observou.

No desenho, por exemplo, a menina que sonhava em ser enfermeira se colocou dentro de um hospital. “Claro que são pinturas muito primárias, mas meu objetivo era ver aquelas crianças querendo estar ali e inseri-las dentro do que elas sentem afinidade”, explicou Valéria.

Para a mostra, Valéria levou mais trabalhos deles do que de si mesma. “Expus o que eles fizeram dentro da dinâmica da mostra e fiz questão de falar que muitos jovens não tinham conhecimento nenhum, nenhuma base para trabalhar com tinta e pincéis. Algumas pessoas querem apadrinhar a causa”, comemora Valéria.

A exposição ficou até o dia 18 de maio no Vaticano. Agora, Valéria prepara a volta à África em agosto com um projeto que vai ensinar sobre produção e comercialização do artesanato local, transformando jovens em artistas que podem ser remunerados pelo seu trabalho.

“Acredito que aí está a minha identidade artística, de fazer um trabalho sempre voltado para o social”, frisa.

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