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“Hoje sorrimos, porque já choramos juntas!”

Davidiane já é conhecida na Fraternidade Sem Fronteiras em Madagascar. Ela é portadora de grave alergia de pele, piorada pela areia e fuligem do local.

Quando nos despedimos em fevereiro de 2018, ela estava bem. Renutrida, com pele saudável e alegria incomparável, cantava e batia palmas quando brincávamos juntas.

Coração apertado de saudade, peço para rever Davidiane assim que retorno ao Champ de la Paix no início de agosto. Recebo-a sentindo-me estarrecida. Pele com escamas grossas a se soltarem. Pústulas e crostas em cada dobra… choro de dor que corta o ar e pede socorro. Ela sentia dor. Sentia medo. Enquanto as lágrimas me cobriam os olhos, minhas mãos lhe cobriam o corpinho com óleo hidratante. Ela gemia sem poder fugir.

Minhas lágrimas eram misto de dor pela criança e de incompreensão para com sua mãe. “Como ela tem coragem?!”, julgavam meus pensamentos.

No dia seguinte, a criança retorna com menos dor. Pequenina, chora para receber o óleo em sua pele, mas se levanta e me estende as perninhas. Sabia que a dor daquele momento seria o alívio mais tarde. A compaixão tomou meu coração… Olhei novamente para sua mãe e percebi que, em humanidade, somos mais frágeis do que perversos.

Se eu quisesse ajudar a criança, deveria aprender a amar a mãe. Caso contrário, como aquela mulher aprenderia sobre Amor e Cuidado para oferecer a sua filha?

A tarefa era difícil. Era mais que ser médica. Era mais que realizar uma bela abordagem familiar. Era sobre transformar meu coração para ser médica de almas, a começar pela minha.

Três dias se passam. Sigo aflita sem saber se a mãe medicava a criança em casa. Ela retorna pior. Eu precisava amar a mãe.

No dia seguinte, sua mãe vem sozinha em consulta. Queixava de cansaço, indisposição… Aciono o sentimento de compaixão que sua filha me ensinou e consigo ouvi-la de coração aberto! Conversamos sobre as dificuldades e as mudanças em sua vida. Não mudei nenhuma virgula sequer de sua realidade. Mas acolhi seu coração com o meu. Despedimo-nos com um abraço sincero, um sorriso grande e a seguinte frase: “Eu amo você, Aouva! Confio em sua força para seguir em frente e cuidar bem de sua família”.

Ontem ela furou a fila e entrou escondida no consultório: “Hoje não quero consulta. Só vim trazer a Davidiane para lhe falar oi”. A menina sorria! Limpa, roupa nova, pele perfeita. Agradeci a força do Amor que governa o Universo. Nos abraçamos libertas da dor. Na pele e na alma!

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