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Alfabetização abre caminhos para autonomia e transforma futuros

Nos projetos da Fraternidade Sem Fronteiras, educação, alimentação, cuidado e estrutura caminham juntos para garantir que crianças possam aprender e desenvolver suas potencialidades


Por Laureane Schimidt e Ighor Avanci


Saber ler e escrever está presente nas escolhas que fazemos todos os dias. Compreender uma orientação, identificar qual ônibus pegar, ler a indicação de um medicamento, interpretar um contrato ou acessar informações são ações que parecem simples para quem teve a oportunidade de aprender. A alfabetização, porém, ainda não é uma realidade para milhões de pessoas.

Mais do que reconhecer letras e formar palavras, aprender a ler amplia a capacidade de compreender o mundo, tomar decisões e construir o próprio caminho. Por isso, a alfabetização está diretamente relacionada à autonomia e às oportunidades que uma pessoa terá ao longo da vida. As habilidades fundamentais de leitura formam a base para a aprendizagem e acompanham toda a trajetória escolar.

Em países onde a Fraternidade Sem Fronteiras atua, esse desafio faz parte da realidade de muitas crianças. No Malawi, por exemplo, dados do UNICEF indicam que apenas 19% das crianças de 7 a 14 anos possuem habilidades de leitura esperadas para a idade. Isso significa que cerca de oito em cada dez ainda não desenvolveram essas competências.

No Burundi, o cenário também evidencia a dimensão do desafio. Segundo o Banco Mundial, 96% das crianças em idade final do ensino primário estão em situação de pobreza de aprendizagem, indicador que aponta a dificuldade de ler e compreender adequadamente um texto simples.

Não basta abrir a porta da sala de aula

Garantir o direito à educação exige mais do que oferecer uma vaga na escola. Para aprender, uma criança precisa ter condições de permanecer naquele ambiente, estar alimentada, sentir-se protegida, contar com professores preparados, materiais escolares e uma estrutura adequada para o desenvolvimento.

É com essa compreensão que a Fraternidade Sem Fronteiras desenvolve e apoia iniciativas educacionais. O trabalho procura criar condições para que crianças e adolescentes tenham acesso não apenas à alfabetização, mas a um ambiente de cuidado, segurança e oportunidades.

Atualmente, os espaços educacionais ligados aos projetos reúnem mais de 360 alunos em Moçambique, mais de 760 em Madagascar e mais de 290 no Burundi. Além das atividades pedagógicas, são oferecidos, conforme a realidade de cada projeto, alimentação, materiais escolares, uniformes, acompanhamento e estrutura para o aprendizado, gratuitamente.

No Malawi, a Ubuntu Nation School também integra esse compromisso com a educação, acolhendo mais de 1800 crianças em uma região onde o acesso à aprendizagem ainda representa um importante desafio social.

Aprender para fazer escolhas

O impacto da alfabetização ultrapassa os anos vividos dentro da escola. Uma criança que aprende a ler e compreender desenvolve ferramentas que poderão acompanhá-la na vida adulta, ampliando sua capacidade de buscar informação, conhecer direitos, acessar oportunidades e tomar decisões.

Por isso, alfabetizar também é construir autonomia. É oferecer instrumentos para que cada criança possa desenvolver seus talentos, fazer escolhas e participar de maneira mais consciente da própria história.

Para a Fraternidade Sem Fronteiras, esse caminho começa com a educação, mas não termina nela. É preciso criar condições para aprender e permanecer aprendendo. Porque, quando uma criança consegue decifrar as palavras diante dela, novas possibilidades também começam a ser escritas.

 

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