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Africanos acolhidos estarão no Brasil

“Antes eu não tinha perspectiva alguma do que é a vida realmente. No começo não sabia qual meu destino. Tudo na época parecia tão escuro. Fiquei vagando pela aldeia, trabalhando na roça ganhando 50 Meticais de Moçambique [aproximadamente R$2,50] por dia para poder ir à escola, por que sem mãe ou pai acabamos indo no caminho errado”.

A fala é do jovem Luis Amosse Mucavel, apadrinhado pela Fraternidade sem Fronteiras (FSF) desde 2010. Natural de Macarretane, próximo à Aldeia de Barragem, localizada ao sul da região de Gaza, mora com a mãe, avós e irmãos. Orfão de pai desde 2011, começou a frequentar o Centro de Acolhimento da FSF em Moçambique e, nesses oito anos, têm recebido refeições, educação e afeto de todos os colaboradores.

Nas aldeias de Moçambique, as escolas ensinam até a sexta classe. Depois dessa fase, o aluno precisa estudar na cidade. Sem dinheiro para pagar transporte, uniforme e material escolar, a maioria deixa de estudar. Luís vai seguir adiante graças à ajuda de padrinhos brasileiros que apoiam o trabalho humanitário da Fraternidade sem Fronteiras. “O meu sonho é cursar Administração Pública, faculdade que fica na aldeia de Lionde, onde terei que alugar uma casinha”, comentou esperançoso poucos meses antes da prova. Dias atrás veio a boa notícia: entrou para a faculdade.

A primeira universitária da Fraternidade sem Fronteiras é Especiosa Adriano Marge, de 19 anos. Atualmente, mora em Massinga, no sul de Moçambique. Acadêmica do curso de Biologia. Em relato publicado no Facebook, na página da Fraternidade sem Fronteiras, Especiosa descreve as dificuldades que encontrou na adolescência para frequentar a escola. Orfã de mãe, cresceu com o avô e a irmã mais nova. Para conseguir arcar com as despesas de transporte até a escola e com a compra de cadernos, trabalhava nas machambas, conhecidas como “roças” no Brasil. Viu sua realidade mudar com a chegada da Fraternidade em Moçambique.

 

Este ano, Luís e Especiosa vêm ao Brasil para participar do II Encontro Fraternidade sem Fronteiras que será realizado em Campo Grande nos dias 20, 21 e 22 de abril de 2018. O evento contará com palestras, depoimentos, música e arte. Os jovens percorrerão mais de nove mil quilômetros de distância em uma viagem que deve durar, aproximadamente, 12 horas.

 

A importância dessa conquista não é somente para Especiosa e Luís. Segundo Cesaltina Muchanga, coordenadora do Centro de Acolhimento, em Moçambique, a trajetória dos dois jovens universitários tem incentivado muitos outros a continuarem os estudos. “Aqui era somente 1 jovem que passava para o primeiro ano, hoje são cerca de 8 que continuam os estudos, e tudo isso porque eles viram o exemplo do Luís e da Especiosa e agora conseguem sonhar com um futuro melhor”, conclui ela.

Daqui quatro anos, Luís deve estar formado em administração pública. Hoje, ele fala também dos aprendizados que vão bem além da sala de aula: “Fraternidade sem Fronteiras é uma ação que nasce dentro do coração de cada um de nós, que ultrapassa qualquer fronteira geográfica só para diminuir essa fome”, finaliza Luís.

O II Encontro da Fraternidade sem Fronteiras será no espaço para eventos do segundo piso do shopping Bosque dos Ipês e as inscrições podem ser feitas no link aqui de baixo.

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