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Elídio, Enoque, Helton, Nelson, Racelina, Neuzia, Dora, Genica, Rosalina. Os nomes no quadro são de mestres artesãos e costureiras que viram a máquina unir os primeiros retalhos de tecido e transformá-los em bolsas, carteiras e roupas. Os nove jovens atendidos pela Fraternidade sem Fronteiras, das aldeias de Muzumuia, Barragem e Matuba, em Moçambique, tiveram oito dias intensos de aulas para, ao final, se enxergarem como profissionais.

A oficina foi ministrada pela estilista da grife moçambicana Amorambique, Patrícia Vasco. Africana, a jovem de 27 anos tinha o sonho de ensinar o que aprendeu ainda menina, levando esperança ponto a ponto na costura.

“Tenho este projeto desde 2013, mas nunca conseguia implementar, pois não encontrava empresas ou ONG’s interessadas. Quando conheci a Fraternidade sem Fronteiras e mostrei, o projeto foi encaminhado”, conta Patrícia.

O objetivo é formar profissionalmente adolescentes e jovens no País onde o ensino secundário não é gratuito e muitos deixam de lado os estudos para trabalhar. “Se eles têm um encaminhamento, uma profissão, uma esperança, tudo muda na vida”, acredita a estilista.

Patrícia sabe que o caminho seguido por muitos jovens é o de se mudarem para a África do Sul, onde a oportunidade de trabalho vem das minas. Foi pensando nisso que ela sempre desejou ensinar o que sabe. O pensamento também abraça as mulheres de forma especial. “Para que elas possam ser independentes”, defende.
A oficina ministrada durante a caravana de julho contou com o apoio da organização Baobab Tree Association que doou, pelas mãos das embaixatrizes em Moçambique, as máquinas de costura que levaram a teoria para a prática.

Como uma semente a ser plantada hoje para florescer no futuro, Patrícia vê um pouco de si ao ajudar o próximo. “Foi a forma como a minha mãe arranjou para me sustentar, através da costura e, mesmo sem ela ter me ensinado, acabei gostando e aprendendo esta arte.

“Ajudando ao próximo me sinto mais perto de Deus. Eu enfrentei a depressão muito cedo e a única forma de me curar dela foi fazendo responsabilidade social”, conta.
As aulas duravam o dia todo e antes mesmo do horário começar, os alunos já estavam a postos, exercitando o que havia sido ensinado no dia anterior. “Eu chegava 8h para a aula e eles já estavam lá, desde 7h, sozinhos, trabalhando e criando”, relembra.

Rápido, o curso se pautou mais na vontade de aprender do que na carga horária. “Foi tudo incrível. Em um dia, eles produziram seis calções e várias bolsas, isso é um milagre”, comemorou Patrícia.

O projeto continua a todo vapor. E a ideia é contar com a assistência da estilista para produções que vão chegar a ser comercializadas.
“O trabalho é emocionante, quisera eu que mais moçambicanos tivessem tanto amor quanto a Fraternidade tem por Moçambique e pelo nosso povo”, resume.

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