Iniciativa busca fortalecer uma cultura antirracista e relações mais conscientes e empáticas nas ações humanitárias da organização
Por Laureane Schimidt – assessoria de imprensa FSF
A Fraternidade Sem Fronteiras realizou capacitação sobre letramento racial voltada aos colaboradores, lideranças e voluntários que atuam diretamente nos projetos humanitários da instituição. A formação integra um movimento de cultura antirracista, fortalecimento das práticas institucionais da organização e busca ampliar a consciência sobre as relações étnico-raciais, especialmente nos contextos de atuação da FSF no continente africano.
O letramento foi conduzido pela psicóloga, consultora e pesquisadora, mestre em Políticas Públicas e Formação Humana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPFH/UERJ) e pós-graduada em Psicologia Analítica pelo Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP), Thayná Trindade, durante duas edições on-line.
“O não compreendimento ou a falta de informação sobre questões raciais e sobre como elas impactam o nosso dia a dia, especialmente a população negra, pode nos levar a graves problemas de relacionamento, agressões e até crimes motivados pela ignorância desse contexto. Muitas vezes, atitudes racistas são encobertas pela justificativa de que ‘a intenção não era ofender’”, explica a gerente de voluntariado da FSF, Priscila Alexandre, que considera o tema urgente e necessário em todas as esferas sociais.
A capacitação também reforça a responsabilidade institucional da FSF diante da atuação humanitária em comunidades africanas. “Levamos inúmeras caravanas e voluntários, majoritariamente brancos, para interagirem diretamente com comunidades negras no continente africano. É uma forma de proteger os acolhidos, capacitar e melhorar cada vez mais essas interações, para que tenham impactos positivos em todas as camadas do trabalho”, destaca Priscila.
Cada edição da formação contou com dois encontros on-line, com duração de duas horas cada, e turmas de até 30 participantes para favorecer a troca de experiências e reflexões.
A primeira turma reuniu colaboradores de todos os setores da sede da organização. Já a segunda edição foi direcionada a coordenadores brasileiros que vivem nos projetos humanitários, lideranças e coordenadores de caravanas que atuam diretamente com as comunidades atendidas.
A expectativa da FSF é ampliar gradualmente o alcance da iniciativa. Paralelamente às formações ao vivo, a organização também pretende desenvolver um curso on-line sobre o tema, com formato mais acessível para alcançar um número ainda maior de voluntários e caravaneiros.
“Pessoas que passam por vivências e cursos de letramento racial desenvolvem maior capacidade de empatia, agem de forma mais justa e atuam na sociedade como instrumentos pacificadores e antirracistas. Consideramos que essa oportunidade nutre nossos colaboradores e voluntários, ampliando consciências e proporcionando experiências ainda melhores e mais conscientes”, conclui Priscila.

