• 🇩🇪 DEU
  • 🇫🇷 FRA
  • 🇨🇭 CHE
  • 🇬🇧 GBR
  • 🇺🇸 USA
  • 🇨🇦 CAN
  • 🇩🇪 DEU
  • 🇫🇷 FRA
  • 🇨🇭 CHE
  • 🇬🇧 GBR
  • 🇺🇸 USA
  • 🇨🇦 CAN

Home > Blog

Frank Donatien: líder Ubuntu que ajudou a transformar um sonho em uma comunidade de esperança

Após viver 13 anos como refugiado no Malawi, ele participou da construção da Nação Ubuntu e hoje atua na gestão da escola que atende crianças refugiadas e da comunidade local

Por Laureane Schimidt

Frank Donatien Kabamba deixou a República Democrática do Congo em 2008. Ao lado do pai, da madrasta e dos irmãos, encontrou refúgio no Malawi e passou a viver no Campo de Refugiados de Dzaleka. O que ele não poderia imaginar naquele momento era que permaneceria ali pelos 13 anos seguintes.

A vida no campo foi marcada por dificuldades que iam das necessidades mais básicas às incertezas sobre o futuro. Frank recorda as longas filas para conseguir água, as moradias frágeis e os períodos em que os alimentos não eram suficientes para chegar ao fim do mês.

Mas, para ele, uma das maiores dificuldades estava na sensação de não ter autonomia para decidir os próprios caminhos.

“A parte mais difícil não era apenas a fome ou a lama; era a sensação de estar preso. Era de partir o coração ver tantos jovens inteligentes e capazes sem oportunidades”, recorda.

Quando servir se tornou um caminho

Foi ainda em Dzaleka, antes mesmo de conhecer a Fraternidade Sem Fronteiras, que Frank começou a transformar a experiência vivida no campo em uma forma de ajudar outras pessoas.

Ele passou a trabalhar como assistente social, dedicando-se a apoiar pessoas que também enfrentavam as consequências do deslocamento e os desafios da vida como refugiadas.

“Ver a profunda dor ao meu redor foi exatamente o que me impulsionou a agir. Sobreviver a essas dificuldades e servir à minha comunidade me deu força e propósito para me levantar e liderar”, conta.

Em 2018, sua trajetória se encontrou com a da Fraternidade Sem Fronteiras. Ao lado de outros líderes Ubuntu, Frank participou do início de uma iniciativa que transformaria não apenas sua caminhada, mas também o espaço ao redor.

Construindo a Nação Ubuntu

Frank é um dos fundadores da Nação Ubuntu e acompanhou o projeto desde os primeiros passos, quando a iniciativa começou a ser construída em um espaço ainda sem infraestrutura, que aos poucos se transformou em um ambiente de acolhimento e oportunidades.

Nos primeiros anos, atuou como voluntário diretamente na construção, na logística e na gestão das compras. Ajudou a erguer as primeiras estruturas e acompanhou o crescimento de uma iniciativa que passou a reunir educação, alimentação, formação profissional, saúde e desenvolvimento comunitário.

“Começamos do zero. Minha jornada passou da luta inicial de assentar tijolos e gerenciar as primeiras compras para ajudar a garantir a sustentabilidade, o cuidado e a estrutura educacional da Nação Ubuntu”, afirma.

Com o crescimento do projeto, Frank assumiu diferentes responsabilidades. Participou da coordenação geral, da logística, da infraestrutura, das operações e segurança e também das atividades culturais e comunitárias.

O espaço que começou a ser construído coletivamente ganhou salas de aula, casas, cozinha, horta comunitária e oficinas profissionalizantes, além de ações de alimentação e atendimento às necessidades das crianças e famílias.

Dos primeiros tijolos à educação

Hoje, a atuação de Frank está diretamente ligada à escola Nação Ubuntu. Ele acompanha o cotidiano acadêmico e operacional, desde a organização das atividades e supervisão da equipe até o desenvolvimento dos programas voltados ao bem-estar dos estudantes.

Seu trabalho envolve ainda o acompanhamento do desempenho dos alunos, a formação dos professores e a integração de iniciativas de alimentação, saúde e segurança ao ambiente educacional.

A trajetória estabelece uma relação simbólica com o início da Nação Ubuntu. Frank ajudou a construir fisicamente as primeiras estruturas do projeto e, anos depois, trabalha para fortalecer o que acontece dentro delas: a educação e o desenvolvimento das crianças.

Casado e pai de dois filhos, uma menina de 6 anos e um menino de 3 anos, Frank vê na transformação da Nação Ubuntu um resultado da construção coletiva.

“Minha jornada tem sido um testemunho do que acontece quando visão compartilhada, trabalho árduo e verdadeira fraternidade se unem.”

Viver por algo maior

Para Frank, Ubuntu não é apenas uma filosofia. É o princípio que orienta o trabalho que desenvolve há anos junto à comunidade.

“Minha própria humanidade, felicidade e sucesso estão profundamente ligados ao bem-estar das pessoas ao meu redor”, explica.

Ele também enxerga Ubuntu na capacidade de construir pontes para além das origens e nacionalidades.

“Ubuntu significa que amor e respeito não têm nacionalidades.”

Hoje, quando entra na escola da Nação Ubuntu, Frank reconhece essa filosofia em situações concretas: na alimentação oferecida às crianças, no trabalho dos professores, no cuidado e na segurança proporcionados aos estudantes.

Para ele, a experiência pode ser resumida em uma escolha: “Ubuntu é a escolha consciente de viver por algo maior do que si mesmo.”

Uma história que chega às telas

A trajetória de Frank é uma das histórias retratadas em “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados”, documentário que apresenta a mobilização de quatro refugiados congoleses e o movimento que deu origem à Nação Ubuntu no Campo de Refugiados de Dzaleka.

Ao lado de Maick Mutej, Prince Kalolo e Felly Bazibuhe Zihalirwa, Frank é um dos líderes Ubuntu que protagonizam a produção. Sua história leva para as telas uma trajetória que atravessa 13 anos de refúgio e chega à construção de um projeto do qual ele próprio ajudou a erguer os primeiros espaços.

“Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” estreia nos cinemas brasileiros no dia 12 de novembro, levando ao público uma história de protagonismo, fraternidade e transformação construída por quem encontrou no Ubuntu uma forma de cuidar da própria comunidade.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Frank Donatien: líder Ubuntu que ajudou a transformar um sonho em uma comunidade de esperança

Após viver 13 anos como refugiado no Malawi, ele participou da construção da Nação Ubuntu e hoje atua na gestão da escola que atende crianças refugiadas e da comunidade local Por Laureane Schimidt Frank Donatien Kabamba deixou a República Democrática do Congo em 2008. Ao lado do pai, da madrasta e dos irmãos, encontrou refúgio no Malawi e passou a viver no Campo de Refugiados de Dzaleka. O que ele não poderia imaginar naquele momento era que permaneceria ali pelos

Ler mais »

“Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” está na programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Documentário será exibido nos dias 19 e 21 de outubro durante edição histórica do evento, que reúne 380 produções de 93 países Por Laureane Schimidt – assessoria de imprensa FSF O documentário “Nação Ubuntu – A Voz dos Silenciados” integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Depois de participar do Festival do Rio, o filme, que apresenta a trajetória de quatro refugiados congoleses e a mobilização que deu origem à Nação Ubuntu no Malawi, será

Ler mais »