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Campo da Paz inicia acolhimento

| | Blog, Madagascar

Uma bacia de água chega a provocar alegria eufórica em mães que não podem dar banho nos filhos há 40, 60 dias. Desnutridas, as crianças vão chegando no Champ de La Paix ou Campo da Paz, uma estrutura básica que vai sendo erguida para oferecer o mínimo a famílias que vivem uma realidade difícil até de imaginar. “Elas chegam a crescer dentro da mesma roupinha e tomam banho apenas quando chove. A gente não sabe o que é isso”, conta o fundador da ONG Fraternidade sem Fronteiras, Wagner Moura.

Ambovombe, no sul da ilha, é uma cidade com 60 mil habitantes e, para onde se olha, o que se vê é a extrema necessidade. A grande maioria das crianças tem desnutrição grave. Elas consomem água suja porque água limpa é preciso comprar e as famílias não têm dinheiro. Malária, pneumonia e doenças que os médicos voluntários da Fraternidade relatam só ter visto em livros surgem impondo tristes padecimentos. Em junho deste ano, a FSF organizou uma caravana de profissionais voluntários da área de saúde e atendeu mais de 2000 crianças.

A presença da Fraternidade sem Fronteiras acende uma esperança que a comunidade já reconhece. Moradores unem-se aos caravaneiros voluntários e trabalhadores locais contratados pela ONG em um grande mutirão e, juntos, constroem a segunda unidade de acolhimento da ONG brasileira, em Madagascar. Superam as restrições próprias da realidade local, como a falta de materiais, e vão dando corpo à estrutura. “Tudo simples e com muito carinho. Não terminamos ainda, mas já precisávamos iniciar o atendimento”, afirma Wagner Moura, presidente da FSF, na ilha junto com outros voluntários desde o dia 12 de agosto, impulsionando a obra, capacitando e treinando os trabalhadores.

Claudete é nutricionista, professora da UFRJ. Está lá para orientar a composição da refeição e preparo de soro para combater a desnutrição. No primeiro dia de abertura do Campo da Paz, esta segunda, 21 de agosto, teve abóbora, rica em ferro, no prato. Denize é a cozinheira de mão cheia que sonhava conhecer de perto os projetos que já ajudava de longe. “Amanhã vem mais gente pra comer e vai ter comida pra todo mundo”, comemorava. A psicóloga Sueli morou um período na França e auxilia como tradutora e os trabalhadores locais traduzem para o malgaxe, dialeto predominante nas aldeias de Ambovombe.

No Campo da Paz, o movimento fraterno vai acolher duas mil pessoas e oferecer água, alimentação, banho, escovação de dente e roupa limpa. É um mínimo que para pessoas como dona Angelina e seus 12 filhos significa o que não recebeu ao longo de toda vida. Todos os dias, ela receberá essa ajuda e retornará com a família para a sua casinha, do tamanho de casa de boneca, até que se possa fazer mais por ela, como idealizam os voluntários. O amparo a 500 famílias semelhantes à de dona Angelina é possível graças aos padrinhos que mantém a causa, doando mensalmente R$ 50,00.

Mobilização solidária – A Fraternidade sem Fronteiras foi fundada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 2009, e hoje une milhares de padrinhos, voluntários, colaboradores e apoiadores. Artistas como o ator Reynaldo Gianecchini, o DJ Alok e lideranças de várias religiões declaram apoio aos projetos da ONG, que acolhe 10 mil crianças africanas em 26 centros de acolhimento, 24 deles em Moçambique, onde o trabalho começou, em 2009, e evoluiu para além da alimentação e cuidados com a saúde, oferecer estudo, formação profissional, moradia para idosos e órfãos, perfuração de poços artesianos e cultivo agroecológico – uma transformação. “Nós acreditamos que só o amor, só a união entre os povos, pode acabar com a fome e construir um mundo de paz”, conclui Wagner Moura.

Serviço
Quem desejar apadrinhar a causa ou conhecer melhor os projetos da Organização humanitária Fraternidade sem Fronteiras pode acessar o site www.fraternidadesemfronteiras.org.br ou acompanhar as publicações na página da ONG no Facebook.

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