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Em 2021, Projeto “Brasil, um coração que acolhe” realizou mais de 200 interiorizações de venezuelanos

Os refugiados e migrantes optaram pelo processo e ganharam a chance de um recomeço em outros estados do Brasil

Por Taemã Oliveira, assessoria de imprensa FSF/Boa Vista – Roraima 

O Projeto Brasil, um coração que acolhe da Organização humanitária Fraternidade sem Fronteiras (FSF) atua, no estado de Roraima, no trabalho de acolhimento a famílias refugiadas e migrantes da Venezuela que chegam ao Brasil em busca de melhores condições de vida. O principal objetivo do projeto é conseguir interiorizar refugiados e migrantes venezuelanos, ou seja, oferecer toda a logística e as condições socioeconômicas para que essas pessoas consigam se deslocar para os demais estados brasileiros e assim recomeçar a vida de forma digna. 

No ano de 2021, 68 famílias que viviam em Roraima, mas não necessariamente nos Centros de Acolhimento, foram interiorizadas para outros estados, um total de 228 pessoas. Foram 34 núcleos interiorizados por reunião social, 24 por reunificação familiar, 8 por acolhedor voluntário e 2 pela modalidade institucional. Os destinos principais foram as regiões Sul e Sudeste. 15 núcleos familiares foram para o estado de Santa Catarina, 12 para São Paulo, 10 para o Rio Grande do Sul, 6 para o Paraná e 5 para Minas Gerais. 

“Tenho muito a agradecer à Fraternidade, levo no meu coração. Mas estamos muito, muito felizes. Vamos recomeçar”, comemora Catalina Ortega, de 52 anos,  acolhida pelo projeto desde 2019 no Centro de Acolhimento São Vicente 2, em Boa Vista – RR. 

O projeto Brasil, um coração que acolhe está chegando perto das 1.500 interiorizações já realizadas desde 2017. 

Entenda o processo de interiorização 

A interiorização foi uma estratégia criada pela Operação Acolhida,  a força-tarefa humanitária executada e coordenada pelo Governo Federal, por meio do Exército brasileiro e o Ministério da Cidadania, em parceria com diferentes entidades, entre elas a Fraternidade sem Fronteiras, para administrar a crise migratória gerada no Brasil pelo fluxo migratório intenso vindo da Venezuela. 

 Existem quatro modalidades de interiorização: a Institucional, quando os acolhidos são deslocados de Abrigo para Abrigo; a por Reunião Social, quando vão a convite de um amigo; a por Reunificação Familiar, quando vão para a união de familiares, e a de Vagas de Emprego – quando são interiorizados com uma oportunidade de trabalho. Esta última não é praticada pela FSF, no lugar dela, é desenvolvida a interiorização por Acolhedor Voluntário.

Acolhedor Fraterno: é aquela pessoa que tem o interesse de acolher uma família venezuelana na cidade onde mora. Para que possa oferecer este acolhimento, o interessado em ser um acolhedor fraterno precisa entrar no site da FSF (www.fraternidadesemfronteiras.org.br), se inscrever para esta modalidade e saber que será responsável pela moradia, sustento, educação e procura por um emprego para a família venezuelana no período de pelo menos três meses. O Acolhedor voluntário vai ajudar a FSF a dar dignidade aos refugiados e migrantes venezuelanos neste recomeço até que consigam a independência total. 

  Todas as interiorizações são realizadas de forma voluntária, ou seja, os refugiados e migrantes precisam manifestar a vontade. Após a documentação estar regulamentada, os ônibus do exército brasileiro levam as famílias para o aeroporto de Boa Vista ou de Manaus, de onde saem os voos das quatro modalidades: voo fretado pela Operação Acolhida, compra de passagem pela Operação Acolhida, voo da FAB e aquisição de passagem pela OIM (Organização Internacional para Migrações).

A Juliana Lopes, líder de interiorização, frente de trabalho que é o principal foco do Projeto, a cada novo acolhimento, realiza reuniões para explicar do que se trata o processo e acompanha os que já estão interiorizados. 

“Hoje o principal desafio do nosso setor é a busca por trabalho e junto vêm as demais problemáticas. Posso dizer que para as mães solteiras, principalmente para elas, a luta é maior ainda. Porque elas são sozinhas para trabalhar e cuidar dos filhos. Mas com a ajuda dos acolhedores voluntários, estamos conseguindo vencer e dar oportunidade para este público também”, explicou Juliana. 

Para as mulheres e para os idosos, muitas vezes a única chance de recomeçar é o aparecimento de alguém que os queira acolher e ajudar bem de perto neste processo. 

 

Entenda o fluxo migratório da Venezuela para o Brasil

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados no Brasil, o ACNUR, entre 2010 e 2020 houve uma mudança drástica no fluxo migratório entre Brasil e Venezuela. 

O Setor de Interiorização do projeto Brasil, um coração que acolhe estima que, em 2015, entravam no Brasil uma média de 100 venezuelanos por dia, via fronteira com Roraima. De 2015 a 2017, esse número teve uma alta de 922%, segundo a Organização das Nações Unidas. A estimativa ultrapassou mais de mil pessoas entrando no país, diariamente, pelo extremo norte do Brasil. 

Ainda segundo a ONU, em 2020, 262 mil venezuelanos viviam no Brasil. A Fraternidade sem Fronteiras foi uma das primeiras a chegar em Roraima com um trabalho de acolhimento aos venezuelanos, em outubro de 2017. Hoje, além das instituições governamentais, são mais de 120 agências atuantes neste trabalho humanitário oferecendo o trabalho de documentação, acolhimento, integração e interiorização aos venezuelanos que chegam ao Brasil. 

“Meus familiares estão lá, quando eu chegar lá já vou ter um emprego e eu vou poder me estabilizar e estabilizar minha família, cumprir com o que eu tinha em mente quando eu vim para o Brasil: ter uma vida melhor”, espera confiante Júnior Sotillo ao lado da esposa, Dayerlin Ramirez, e dos dois filhos rumo a Caxias do Sul – RS.

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