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No Dia Mundial da Água, Fraternidade sem Fronteiras celebra o acesso à água em três projetos na África

Já foram perfurados 22 poços e a distribuição de água ajuda no tratamento contra a desnutrição 

Por Marco Antonio Cruz e Kethelyn Mara – assessoria de imprensa FSF

 

A Organização humanitária Fraternidade sem Fronteiras (FSF) promove, em três dos 11 projetos de atuação, o acesso a um direito básico e fundamental à humanidade: a água potável. Neste 22 de março, quando se comemora o Dia Mundial da Água, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1992, a FSF reforça a necessidade da perfuração de poços e a distribuição de água, principalmente em três projetos da FSF, Acolher Moçambique, Ação Madagascar e Nação Ubuntu, todos na África. 

Os trabalhos são  desenvolvidos em regiões onde o acesso à água é ainda mais desafiador, em virtude de questões econômicas, políticas, sociais, ambientais e climáticas. Até o momento, em 12 anos de atuação, a FSF já perfurou 22 poços nestas localidades e faz a distribuição de água potável. 

 

Acolher Moçambique

No Projeto Acolher Moçambique, na África, o acesso à água é uma das principais prioridades. Dos 30 centros de acolhimento, 19 possuem poços perfurados com água disponível para toda a comunidade da região.

“Muitas vezes, a situação de carência da comunidade decorre da escassez de água, por isso que trabalhamos para criar a acessibilidade de água nas comunidades”, enfatiza Priscila Alexandre, coordenadora do Projeto Acolher Moçambique. 

A necessidade ainda é para perfurar poços nos outros 11 centros de acolhimento. Na região de Chicualacuala, a situação é a mais grave. O custo para perfuração de cada poço gira em torno de 2 milhões de Meticais (moeda local), o equivalente a R$170 mil. Um dos fatores que encarece o serviço é devido a água ser salobra, o que necessita de um dessalinizador para deixar a água para consumo. 

“O cenário é desafiador. Os grandes rios secaram por conta da falta de chuvas regulares e no leito desses rios a comunidade faz algumas covas até a água emergir e dessa água eles fazem uso. Essa água que emerge também é disputada com os animais, que acaba ficando ainda mais suja e contaminada”, explica a coordenadora.

Nas aldeias onde há um tipo de bebedouro em que se retira água por meio de alavancas, as pessoas precisam caminhar por quilômetros, enfrentarem filas e enchem galões para levarem o recurso para o uso doméstico e pessoal: cozinhar, tomar banho, lavar a louça, roupa e beber. 

Ação Madagascar

A atuação da FSF, em Madagascar, é no sul da ilha africana e o local segue padecendo de uma das piores secas nos últimos 30 anos. Com o clima de semi – deserto, falta de chuva e tempestades de areia,  metade das pessoas não tem acesso a água potável e só conseguem tomar banho quando chove – o que pode demorar até um ano. O consumo de água suja é uma das principais causas da diarreia em crianças e a diarreia é a principal causa da mortalidade infantil no país.

As condições climáticas impactam diretamente na saúde dos moradores. Pelo menos um milhão de pessoas não tem o que comer e cerca de 500 mil crianças com menos de cinco anos estão desnutridas. 

“No mês de fevereiro de 2022, a FSF ofereceu tratamento nutricional para 1382 crianças. Destas, 327 eram casos severos, 595 moderados e 460 crianças em risco nutricional. Em nossos 10 centros nutricionais espalhados pelo distrito de Ambovombe, conseguimos identificar, no primeiro bimestre de 2022, 1721 crianças que necessitam de tratamento nutricional, 118 (7%) desnutridos severos, 464 (27%) desnutridos moderados e 1139 (66%) em risco nutricional”, descreve o médico da FSF em Madagascar, Higor Machado. 

Atualmente, a FSF oferece tratamento nutricional para 3.103 crianças e o fornecimento de água potável para mais de 12 mil acolhidos, em 13 centros de acolhimento. O desafio é reunir recursos para a perfuração de poços na região, o custo chega a R$ 240 mil, em média.

Nação Ubuntu

No campo de refugiados de Dzaleka, no Malawi, são mais de 52 mil refugiados e todos têm acesso restrito à água por meio de um poço bombeado à mão. Existem alguns poços distribuídos pela área, mas são insuficientes para atender a toda a população refugiada. 

“Formam-se filas muito longas e os refugiados pegam água em galões de 20 litros que são utilizados para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupa. Portanto, o acesso é muito restrito, não há abundância e eles ficam por horas aguardando até terem acesso à água. É um ponto desafiador não ter água encanada para as necessidades mínimas e básicas”, explica o fundador-presidente da FSF, Wagner Moura Gomes.

No Projeto Nação Ubuntu, localizado ao lado do campo de refugiados, no Malawi, três poços já foram perfurados, possibilitando acesso à água potável para a comunidade acolhida. Essa iniciativa também tornou possível fazer a irrigação de mais de 15 hectares para a produção de alimentos. No entanto, ainda é preciso avançar mais para ampliar o número de acolhimento de refugiados e perfuração de novos poços para atender ao consumo básico da comunidade e para a ampliação das áreas de produção de alimentos.

Sobre a Fraternidade sem Fronteiras – A FSF é uma Organização humanitária e Não-Governamental, com sede em Campo Grande (MS) e atuação brasileira e internacional, com atuação em oito países, em alguns dos lugares mais pobres do planeta, com esperança e profundo desejo de ajudar, acabar com a fome e construir um mundo de paz. A instituição possui 74 polos de trabalho, mantém centros de acolhimento, oferece alimentação, saúde, formação profissionalizante, educação, cultivo sustentável, construção de casas e ainda, abraça projetos de crianças com microcefalia e doença rara. Todos os trabalhos são mantidos por meio de doações e principalmente pelo apadrinhamento. Mais informações podem ser obtidas pelo site http://www.fraternidadesemfronteiras.org.br

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