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Anos após ser acolhido e aprender inglês em iniciativa da Fraternidade, jovem volta como voluntário e ensina inglês à acolhidos do Teaching without Borders

Por Nélida Navarro, Comunicação FSF

“Existe um ditado em Moçambique que é – ‘Se teu pai é pedreiro, você também será pedreiro’ – só que eu quis fazer as coisas diferentes”. Essa frase é do ex-acolhido do Projeto Acolher Moçambique, Enoqque Eduardo Commole, de 22 anos, que desde 2018 entrelaçou sua história com a Fraternidade sem Fronteiras (FSF).

 

Enoqque é do distrito de Belém, em Moçambique, e sempre teve a vontade de aprender língua inglesa, porém não tinha condições de iniciar seus estudos no idioma. Em fevereiro de 2018, uma caravana da FSF, que foi a Moçambique, cruzou os caminhos do jovem com a madrinha Wânia Faria e o padrinho Vilson Fileti, que se tornaram grandes amigos e apoiadores de Enoqque. Após esse encontro, a vida do jovem começou a ganhar novos rumos. 

Enoqqye Commole e sua madrinha Wânia Faria

Enoqque Commole e seu padrinho Vilson Fileti

Na época, depois de contar que sempre teve vontade de ser fluente em inglês, ele foi convidado a participar da iniciativa de voluntários “Teaching without Borders”, onde teve aulas do idioma na sala de informática do Sonhar sem Fronteiras, na aldeia de Muzumuia, via Skype, uma vez por semana, com a professora de inglês, Fernanda Moreira. O jovem relata que no começo das aulas, o uso da tecnologia não foi fácil. “Eu nunca tinha tido acesso a internet, nem com tecnologias. Eu tive dificuldade para me adaptar a usar o Skype e os outros equipamentos”. 

Mas para ele, as dificuldades foram pequenas pedrinhas em seu caminho, se comparada a sua vontade de aprender. Enoqque conta que à medida que aprendia inglês, ele ensinava Inglês aos jovens das aldeias de Barragem, Muzumuia e Matuba, como uma maneira de compartilhar conhecimentos e de também enraizar o que aprendia. Logo então, a educação teve um papel importante para Enoqque, que começou a sonhar mais alto, e ao longo de 2018, concentrou seus estudos no idioma, em prestar vestibular e conseguir ingressar nas universidades da sua região, para se tornar professor de Inglês. 

No final de 2018, o jovem realizou o vestibular para duas universidades de sua região, mas não conseguiu ser aprovado. “Foi um momento muito difícil para mim, eu me sentia frustrado, triste. Eu tinha pessoas que acreditavam em mim, queriam me apadrinhar e eu não tinha conseguido passar. Eu ficava me perguntando porque isso estava acontecendo comigo.”, disse Enoqque. Para ele, a presença dos padrinhos, Vânia e Vilson, foram de extrema importância para que não desistisse dos seus sonhos. “Eles sempre me apoiaram, eu tive muita sorte em conhecer os dois”.

Enoqque assistindo as aulas de inglês por meio do notebook da iniciativa Teaching without Borders

O estudante de inglês não desistiu, continuou com as aulas de inglês com a professora Fernanda e foi convidado a trabalhar na Fraternity without Borders com os novos acolhidos. 

No meio de 2019, sua madrinha, Vânia, o convidou para ir ao Brasil e estudar inglês. Já no país, ele continuou seus estudos com a professora Fernanda, no Centro de Comunicação em Inglês (CCI), por três meses.

“Eu sabia que para continuar a aprender inglês, eu não poderia ficar em um lugar fechado. Eu tinha que sair para poder falar e foi isso que eu fiz. Fui para o Brasil.”

Após três meses, Enoqque voltou a Moçambique mais confiante, sabia que tinha adquirido mais experiência no idioma. “Minha madrinha Vânia me falou: Meu filho, se você tiver que passar, você vai passar. Deus é quem sabe das coisas”, contou o jovem. Ao final do ano, Enoqque prestou o vestibular e foi aceito na Universidade Púnguè, em Chimoio, onde cursa Licenciatura em Língua Inglesa. Hoje, ele está no terceiro ano de faculdade e foi convidado para ser professor de inglês na mesma iniciativa, que ele, em 2018, aprendeu inglês.

Enoqque na Universidade de Pùnngué, em Moçambique, cursando Licenciatura em Língua Inglesa

Enoqque na Universidade de Pùnngué, em Moçambique, cursando Licenciatura em Língua Inglesa

 

Enoqque dá aulas de Inglês a 5 estudantes na Teaching without Borders e sonha em terminar a faculdade e continuar seu caminho na Educação. Ele quer fazer mestrado e doutorado, ser um exemplo à sua família e mostrar que seu destino não está traçado desde seu nascimento, mas que cada um é o dono do seu próprio caminho, e que durante nossa jornada, todos podem auxiliar tantas outras pessoas a construírem a sua própria trajetória. 

 

 

 

Seja um voluntário – 

Na Fraternidade sem Fronteiras, qualquer pessoa pode ser voluntária. “O importante é que ela tenha o desejo no coração de servir ao próximo e buscar vivenciar e incentivar os valores da Fraternidade sem Fronteiras”, incentiva Ângela. 

Quem quiser ser um voluntário da FSF basta se cadastrar no Portal do Voluntário acessando https://www.fraternidadesemfronteiras.org.br/voluntariado/ ou enviar um e-mail para voluntarios@fraternidadesemfronteiras.org.br

Projeto Acolher Moçambique – 

Convidamos também todos que queiram conhecer o Projeto Acolher Moçambique, que foi criado em 2009, em um dos primeiros países onde a FSF começou a dar seus primeiros passos humanitários. Moçambique foi escolhido pois estava entre os 16 países que correm alto risco de apresentar níveis crescentes de fome aguda, de acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). 

De lá pra cá, desenvolvemos 30 centros de acolhimento e 34 polos de trabalho, que proporcionam alimentação diária para mais de 13 mil pessoas (entre crianças, adultos e idosos), assim como cuidados com a saúde, orientações à higiene, oficinas de trabalho, participam de atividades pedagógicas, recreativas e culturais.

Além disso, com o apadrinhamento, 500 jovens receberam ajuda para continuarem os estudos. Na aldeia de Mapai, 12 jovens mulheres de Chicualacuala continuam seus estudos enquanto são mantidas pela Fraternidade. 15 jovens que chegaram à FSF ainda crianças, já estão na universidade. 

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