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Tempestade tropical severa “Filipo” deixa mais de mil famílias em extrema vulnerabilidade na província de Gaza, em Moçambique

Mais de mil famílias da província moçambicana de Gaza estão em condições de extrema vulnerabilidade resultado da passagem da tempestade tropical severa “Filipo”, que assolou a região sul do país, nos dias 12 e 13 de março, destruiu várias residências e inundou machambas (hortas), a principal fonte de sobrevivência da maior parte dos moçambicanos. Este número é confirmado pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em Gaza, que conseguiu apurar a nível da província.

Na aldeia de Muzumuia, distrito de Chókwè, em Gaza, encontramos Palmira Mucavele, de 64 anos de idade, viúva e vítima da tempestade tropical severa “Filipo”. Palmira viu a sua casa, construída com material local, a desabar diante da chuva torrencial e vento forte causados pelo “Filipo”. “Tive a tragédia de desabamento desta casa por causa da chuva. Destruiu-se e não tem proveito”, disse Palmira.

Só não aconteceu a maior tragédia porque uma parte da parede “desabou enquanto eu estava lá dentro. A sorte é que a parte que desabou caiu lá fora. Acordei e sai”, relatou Palmira.

O vento e a chuva forte acabaram com a casa de Domingos Chichava, também residente da aldeia de Muzumuia, que agora só restaram paus. A tempestade semeou dor e sofrimento nas famílias da região que, muito antes da atuação do “Filipo”, já viviam em condição de vulnerabilidade. “Fomos surpreendidos pela tempestade. Até a casa destruiu-se. Estamos a pedir a casa do vizinho para estarmos a dormir. Assim não temos casa porque destruiu-se”, conta Domingos.

O maior desejo das vítimas do “Filipo” é o apoio na reconstrução das suas casas. “Estamos a pedir que nos ajudem a construir uma outra casa, pois a nossa destruiu-se por causa da tempestade”, disse Domingos Chichava.

Quem também lança um grito de socorro é Palmira Mucavele. “Aqui onde eu estou não tenho nada. Perdi o meu marido. Não tenho alguém para me ajudar. Gostaria que me ajudassem na construção da casa”, disse Palmira.

Estes são apenas exemplos de centenas de pessoas que foram vítimas da tempestade tropical severa “Filipo”, a nível daquela província moçambicana.

Campos agrícolas inundados

Os efeitos da passagem da tempestade tropical severa “Filipo” não param por aí. O impacto da tempestade é, também, visível no setor agrícola.

A maior parte da população Moçambicana tem a agricultura como sua fonte de sobrevivência, apesar de sempre enfrentar desafios de seca e inundações causadas pelos ciclones que tem ocorrido de forma cíclica no país. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), cerca de 80% dos moçambicanos depende da agricultura e da pesca para o seu sustento.

As machambas (campos de produção) da Fraternidade sem Fronteiras (FSF), uma Organização humanitária que tem apoiado crianças e idosos em condições de vulnerabilidade, não escaparam à fúria do ciclone “Filipo”.

Vários hectares de campos agrícolas encontram-se inundados, situação que pode comprometer as plantações.

Importante destacar que Moçambique, devido a sua localização geográfica, tem sido afetado ciclicamente por cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa que tem sido de Outubro a Abril.

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