O jovem artista do projeto Acolher Moçambique, da Fraternidade Sem Fronteiras (FSF), Júlio Sitóe, participou, no mês de março, de uma exposição coletiva realizada na Galeria Kulungwana, na cidade de Maputo, capital de Moçambique. Na ocasião, apresentou três obras ao público, integrando uma mostra que reuniu cerca de 300 artistas. A exposição teve início no dia 19 de março e permanece aberta até o dia 8 de maio de 2026.
A participação de Júlio surgiu através de um processo seletivo destinado a estudantes finalistas do Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), onde ele frequenta o último ano do curso de Artes Plásticas.
“Para participar, é necessário estar no quarto ano. Eu já havia tentado antes, mas só consegui quando cheguei à fase final do curso”, explicou.
Mais do que visibilidade, a exposição representou um momento de validação artística, troca de experiências e fortalecimento da sua identidade como criador. Para Júlio, cada obra expressa histórias, emoções e vivências que refletem o seu percurso. O jovem considera a experiência extremamente enriquecedora.
“Foi muito importante porque ali consegui ver-me como artista. Aprendi também a organizar uma exposição e a trabalhar com outros artistas. Muitas pessoas disseram que estou no bom caminho e que devo continuar”, destacou.
Um dos aspetos que o diferenciou foi o uso da técnica de Pop Art, caracterizada pelo uso de cores vibrantes, elementos da cultura popular e imagens do cotidiano, sendo um dos poucos participantes a explorar esse estilo na exposição.
Essa foi a segunda exposição que Júlio participou na capital moçambicana. A primeira aconteceu em 2025. Ao refletir sobre o seu percurso, reconhece uma evolução significativa.
“Na primeira vez, eu ainda não compreendia bem o que estava a fazer. Agora já entendo melhor como funciona o processo e como apresentar o meu trabalho. Sinto que estou a crescer e quero evoluir cada vez mais”, afirmou.
O percurso do jovem artista reflete também o impacto do projeto Acolher Moçambique, que, por meio de atividades educativas, culturais e sociais, tem contribuído para revelar talentos e transformar vidas.
Júlio integrou o projeto em 2012, ainda criança, no centro de acolhimento de Barragem. Contudo, foi apenas em 2017 que teve o primeiro contato com a arte, um momento que mudou a sua vida.
“Tudo começou com a visita de uma caravana ao projeto, que trouxe a madrinha e artista Valéria Pinheiro. Ao perceber a ausência de atividades artísticas na comunidade de Muzumuia, na província de Gaza, ela decidiu introduzir a arte como ferramenta de transformação social”, contou.
Foi assim que nasceu o projeto Artes Sem Fronteiras e também a paixão de Júlio pela arte. “Antes disso, eu nem sabia o que era arte. Quando comecei a desenhar e pintar, percebi que era isso que queria seguir”, disse.
A partir dessa experiência, Júlio decidiu ingressar no ensino superior em Artes Plásticas. Atualmente, é também monitor na Sala de Artes do projeto Acolher Moçambique, onde ensina outros jovens técnicas como batik, pintura em tela, desenho e o artesanato.
“Para mim, a Fraternidade Sem Fronteiras é muito importante. Sem ela, muitos de nós não teríamos chegado à universidade”, afirmou.
Júlio deixa ainda uma mensagem de gratidão a todos os que apoiam o projeto. “Muito obrigado a todos os padrinhos e madrinhas. Pedimos que continuem a nos apoiar e a acreditar em nós.”
A história de Júlio é um exemplo de como o acesso à arte e ao cuidado pode abrir caminhos e transformar vidas, além de representar o início de uma trajetória promissora.
Escito pelo Correspondente da FSF, Enoque Daniel

Galeria de fotos:




