Por Laureane Schimidt e Enoque Daniel – comunicação FSF
O projeto Acolher Moçambique, da Organização humanitária Fraternidade Sem Fronteiras (FSF), avança na recuperação das áreas afetadas pelas enchentes registradas no início deste ano em Moçambique, África.
Consideradas uma das mais severas dos últimos anos no país africano, as fortes chuvas destruíram infraestruturas, sistemas hidráulicos e áreas agrícolas fundamentais para a subsistência das famílias assistidas pelo projeto da FSF.
Desde então, diversas ações vêm sendo realizadas para garantir a retomada da produção agrícola, reforçar a segurança alimentar e reconstruir estruturas essenciais para as comunidades atendidas.
Machambas
Na Machamba de Muzumuia, área com cerca de 35 hectares, foram executados serviços de manutenção do sistema de bombeamento e reparos no Ponto de Transformação (PT), ambos danificados pelas enchentes. Atualmente, aproximadamente 12 hectares já foram preparados para cultivo, com plantio de feijão e cerca de 5 hectares destinados à produção de hortaliças.
Já na Machamba de Barragem, com 15 hectares, foi realizada a reconstrução da cerca destruída pelas chuvas, garantindo maior proteção da área produtiva. Até o momento, cerca de 5 hectares foram preparados para o reinício das atividades de plantio.
Na região de Majangue, que possui aproximadamente 80 hectares, também houve reconstrução da vedação, manutenção do sistema de bombeamento, além da instalação de hidrantes para melhorar a distribuição de água na irrigação. A área ainda enfrenta desafios, como o rompimento da principal linha de abastecimento hidráulico em dois pontos, que seguem em manutenção. No local, também foram plantadas espécies frutíferas para fortalecer a produção e ampliar a segurança alimentar das comunidades.
Em Mukatine, numa área de aproximadamente 2 hectares, já foram cultivadas hortaliças como cebola, tomate, couve, repolho e beterraba. Para reforçar a produção, o projeto adquiriu uma nova motobomba e novas tubulações para irrigação, substituindo os equipamentos perdidos durante as enchentes.
“Estamos em um esforço contínuo para garantir melhor alimentação às crianças acolhidas pelo projeto e apoiar a recuperação das famílias atingidas com a reconstrução de moradias destruídas pelas enchentes”, resume a coordenadora do Projeto Acolher Moçambique, Ângela Araújo.
Além da reestruturação das machambas, está em andamento a reconstrução da casa da monitora da escolinha comunitária de Barragem, Crimilda, que foi uma das primeiras acolhidas pela FSF. Na sequência, o apoio será na construção da casa de Racelina e Abisag, também acolhidas pelo projeto, que tiveram as moradias destruídas pela água da chuva. 

Todas as obras estão sendo realizadas graças às doações de padrinhos e apoiadores da Fraternidade Sem Fronteiras.
Período chuvoso
O início de 2026 em Moçambique foi marcado por uma temporada de chuvas consideradas atípicas, marcada por precipitações intensas e inundações em diversas regiões do país, especialmente nas províncias do sul e centro do país. As chuvas se prolongaram até o fim de abril, período além do normalmente registrado.
O cenário trouxe impactos diretos para a agricultura, dificultando o plantio e comprometendo a produção. Outro desafio enfrentado pelo projeto é o aumento no preço dos combustíveis em Moçambique, que acaba elevando os custos nas operações agrícolas, já que o diesel é essencial para o funcionamento dos tratores utilizados na preparação da terra.
Atualmente, o Projeto Acolher Moçambique atende 14 mil pessoas, principalmente crianças e jovens em 28 polos de trabalho.

