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“Foi um momento de pura gratidão. Só passava pela minha cabeça que eu era uma pessoa muito abençoada por Deus ter me permitido senti-lo”

Gratidão no dicionário significa “característica ou particularidade de quem é grato. Ação de reconhecer ou prestar reconhecimento (a alguém) por uma ação e/ou benefício recebido”.

Nem se escrevêssemos num livro conseguiríamos expressar tudo o que transborda de nossos corações ao ouvir as histórias de encontros e conexões que chegam a nós durante esses anos de Fraternidade sem Fronteiras (FSF). A gratidão, que aos olhos naturais viriam de nossos acolhidos, vem mesmo é da gente. Todos os dias, ao nos atentarmos para as histórias que são compartilhadas conosco conseguimos enxergar Deus em sua essência. O amor transbordante e pulsante que exala por todos os lados nos contagia e emociona, nos fazendo sentirmos grato, grato de verdade, por podermos ser tocado por outra alma humana.

Daniela Borges, madrinha (desde a época que a Fraternidade sem Fronteiras tinha projetos de apadrinhamentos de crianças/jovens) e caravaneira da FSF, viveu um emocionante encontro que foi um divisor de águas em sua jornada como pessoa. Madrinha de um jovem da aldeia de Massingir Canhene, Dani conheceu seu afilhado na caravana de dezembro de 2017. Não muito convencida de que o encontro era necessário, tentou se esquivar do momento, sem saber, porém, que aquele pedaço de tempo transformaria a sua vida e a do jovem Fanuel Antônio (afilhado) para sempre. Gratidão por isso!

                     

“Em dezembro de 2017 estive em Moçambique com toda a minha família para inaugurar o projeto Sonhar sem Fronteiras na aldeia de Muzumuia. Como levamos muito material de escovação (doação) a coordenadora Cesaltina sugeriu que em um dos dias fôssemos até Massingir para distribuir os kits.

Até aí tudo tranquilo…foi quando a coordenadora perguntou se eu não gostaria de conhecer meu afilhado. Na hora eu respondi que não. Apesar de saber que tenho um adolescente cadastrado como afilhado eu não achava importante saber quem era. Após a insistência de algumas pessoas que estavam junto, ela mandou ir chamar o Fanuel Antônio (afilhado).

Quando o vi senti algo estranho e muito forte, não sei explicar exatamente o que. Ele estava sujo, sujo, sujo, parecia que tinha saído de dentro de um buraco. Tinha as roupas rasgadas, os olhos muito amarelados e parecia estar muito assustado. Não quis conversar e ficou com medo de toda aquela agitação.

Deixei algumas roupas para ele e nosso ônibus partiu de volta para Muzumuia. Esse menino não me saiu mais da minha cabeça…e nem do meu coração.

Voltando para o Brasil, fui buscar ajuda para entender um pouco mais a sua história. Ele é o mais velho de 4 irmãos, foi abandonado pela mãe e pelo pai e vive com a avó que tem problemas com bebida. Ele não estava mais frequentado o Centro e nem a escola porque precisava pastorear o gado em troca de M500 por mês. Com a ajuda de coordenadores locais consegui negociar para que ele retornasse para as atividades diárias no centro e na escola. Todo mês eu mando um valor para compra de cesta básica para a família.

O Fanuel virou o meu objetivo em Moçambique. Entendi que naquele momento em que todos insistiram para que eu o conhecesse, ele estava precisando ser olhado, ser visto….ele estava doente, sem comer e sem estudar, e Deus colocou essa criança sob meus olhos para que ela pudesse ser ajudada. Em abril, retornei para Moçambique para ver como ele estava e se a família (avó e tios) estavam cumprindo o nosso combinado (deixar ele estudar e comer todos os dias no centro). Quando o encontrei, quase explodi de felicidade ao ver que ele estava bem, conversando, dando risadas.

 

 Só que meu coração ainda me dizia que eu podia fazer mais…o Fanuel não estava sozinho. Ele tem 3 irmãos e viviam todos em uma pequena casa sem nenhum conforto.

 

E naquele momento eu prometi para mim que eu voltaria lá para dar a ele e seus irmãos o mínimo de dignidade: um lar.

E em dezembro de 2018 eu pude realizar esse sonho que não era só meu…era nosso. Voltei para Moçambique para entregar a casa para o Fanuel e seus irmãos. Foi lindo!! Foi um dia mágico!! Eu estava completamente feliz em ver aquela família feliz!! Foi um momento de pura gratidão. Só passava pela minha cabeça que eu era uma pessoa muito abençoada por Deus ter me permitido senti-lo tão forte e tão próximo. Eu senti Deus dentro do meu coração, como nunca tinha sentido antes.

Acho que o mais bonito e forte que posso levar dessa experiência é ter sentido algo tão bom em meu coração ao ver a felicidade daquela família”.

Nosso natal é gratidão! E somos gratos a você por fazer parte dessa corrente de amor ♥

 

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