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Em Roraima, Projeto Brasil, um coração que acolhe faz programação especial pelo Dia da Mulher para as refugiadas e migrantes venezuelanas 

Em Roraima, Projeto Brasil, um coração que acolhe faz programação especial pelo Dia da Mulher para as refugiadas e migrantes venezuelanas 

No Centro de Capacitação e Referência, em Pacaraima, as  mulheres tiveram aula de dança, almoço e curso de Empreendedorismo Pessoal 

Por Taemã Oliveira, assessoria de comunicação FSF

 

 

O Projeto Brasil, um coração que acolhe (BCA), da organização humanitária Fraternidade sem Fronteiras (FSF), realizou uma programação especial pelo Dia Internacional da Mulher para refugiadas e migrantes venezuelanas. As atividades foram em quatro das seis frentes de trabalho no estado de Roraima. Em Pacaraima, município brasileiro que faz fronteira com a Venezuela, no Centro de Capacitação e Referência (CCR) 17 mulheres acolhidas participaram da programação, conduzida em parceria com a Cáritas Brasileira e a Associação de Bem com a Vida, com aula de Zumba seguida de uma sessão informativa sobre saúde sexual feminina, com foco em infecções sexualmente transmissíveis e na prevenção.

 

Também foi servido um almoço com o prato principal sendo uma lasanha à bolonhesa totalmente artesanal. As atividades foram encerradas com um curso de capacitação profissional sobre Empreendedorismo Pessoal. 

 

 

“Comecei com três sabores e atualmente tenho mais de doze. Eu vendia oito iogurtes por semana e agora vendo mais de 100. Têm os dias bons, os dias ruins, como todo negócio. Mas o segredo está em insistir, persistir e nunca desistir”, disse a palestrante, Tairis Tremaria, empreendedora venezuelana do setor de laticínios em Pacaraima. 

 

Ao longo de todo o ano, o CCR oferece uma estrutura com banheiros, duchas, fraldários e bebedouros para que, os migrantes e refugiados que chegam da fronteira e estão em situação de rua tenham acesso ao mínimo de dignidade. Carteiras de trabalho, currículos, inscrição no seguro social, espaço para fazer ligações e cursos também são oferecidos no local. O objetivo no Dia da Mulher foi oferecer algo a mais para elas. 

 

“A ideia foi que elas pudessem se distrair e descontrair, parassem de pensar nos problemas delas aqui no Brasil e também nos que ficaram lá na Venezuela, porque muitas chegam sozinhas e parte da família permanece no país vizinho a espera de ajuda; Pensamos em oferecer algo que facilitasse o acesso delas ao mercado de trabalho e também em devolver toda a educação que elas dão aos filhos”, explicou Cristian, coordenador do CCR.

 

Cristian reforça que a programação também foi organizada porque já é posível sentir os impactos da reabertura da fronteira, ocorrida no dia 24 de fevereiro. 

 

“A procura e a emissão, principalmente, das carteiras de trabalho, quase dobraram. Em dezembro foram realizadas 290 emissões, em janeiro 279 e em fevereiro foram 439 carteiras de trabalho emitidas”, detalha Cristian.

 

 Silmara Andana, de 51 anos, é venezuelana e veio para o Brasil com o pai e os três filhos. O pai faleceu. Ela tenta aproveitar cada oportunidade oferecida. 

 

“Eu tenho cinco meses aqui no Brasil e esse Centro me permitiu fazer cursos, me capacitar e toda oportunidade que eu tenho, eu aproveito. Acredito na minha força de vontade para vencer”, disse emocionada. 

 

Na capital Boa Vista, os outros três Centros de Acolhimento, Pricumã, Jardim Floresta e 13 de setembro, também fizeram programação em alusão ao Dia da Mulher, com apresentação de coral indígena, aula de Zumba e distribuição de doces.

 

Sobre o Projeto “Brasil, um coração que acolhe” O projeto foi criado em outubro de 2017, após o aumento significativo do fluxo migratório da Venezuela para o Brasil, via Roraima. Na época, milhares de irmãos venezuelanos entravam diariamente no Brasil, legal e ilegalmente, e chegando aqui passaram a viver em situação de vulnerabilidade, sem casa e sem comida, nas ruas, principalmente, de Pacaraima e Boa Vista, onde estão as frentes de atuação do BCA. Hoje o projeto acolhe, em Roraima, quase 2mil refugiados e migrantes, com moradia, alimentação, serviços de proteção, atividades para as crianças e capacitações para adolescentes e adultos. São 5 frentes de trabalho, sendo 3 Centros de Acolhimento (Abrigos) em Boa Vista, um Centro de Referência e Capacitação em Pacaraima e o Setor de Interiorização que atua nos dois municípios. Apadrinhando você ajuda a manter essas atividades e a abrir novas vagas para quem está aguardando por acolhimento. Em pouco mais de 4 anos de atuação, mais de 5 mil refugiados e migrantes, indígenas e até brasileiros já foram atendidos pelo projeto, seja com cursos de capacitação, seja com acolhimento, seja com atendimento para interiorização.

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