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Jovem brasileira que deixou tudo para se dedicar ao voluntariado na África estará no IV Encontro da Fraternidade Sem Fronteiras

Conheça a história de Clarissa Paz, coordenadora do projeto Nação Ubuntu, localizado no campo de refugiados do Malawi.

Por Maria Cláudia Miguel/Assessoria de Imprensa Campinas

Com a palavra “Paz” no sobrenome, e “Ubuntu” tatuada nas costas (bem antes de saber que participaria da ação do mesmo nome), Clarissa é coordenadora da Nação Ubuntu – projeto construído ao lado do Campo de Refugiados Dzaleka, no Malawi, país vizinho de Moçambique. Criado em 2018, pela ONG Fraternidade sem Fronteiras (FSF), tem como desafio colocar 10 mil crianças em salas de aula.

A carioca de 29 anos, e, desde 2016, radicada no continente africano, será uma das participantes do IV Encontro Fraternidade Sem Fronteiras, no painel com o tema “Valores que transformam o mundo: o de dentro e o de fora”, ao lado de Wagner Moura, presidente da FSF, e dos ubuntos Maick Mutej, Prince Kalolo, Felly Zihal, Frank Donald. O Encontro acontece em São Paulo, de 17 a 19 de abril, e está com inscrições abertas.

 

Uma brasileira da paz

A história de Clarissa da Paz daria um livro de muitas páginas. Formada em Administração, deixou o trabalho numa multinacional, um bom salário, e por estar sempre envolvida ao voluntariado, teve a ideia de associar sua experiência a uma causa social. Começou a estudar pós-graduação em “Responsabilidade Social Corporativa e as Organizações do Terceiro Setor”, no Rio de Janeiro.

Uma noite sonhou com crianças. Acordou com a certeza de que eram da África. Este momento foi decisivo e o continente passou a ocupar seu pensamento (e coração). “Nunca havia sido atraída pela África. Nem em safari”, brinca. “Mas de tanto pensar no assunto comecei a pesquisar sobre trabalho social e encontrei uma especialização nos Estados Unidos, que oferecia seis meses de trabalho na prática em países de extrema pobreza”. Já nos Estados Unidos, na hora de selecionar o destino, a carioca não teve dúvida: “Malawi, campo de refugiados”. Mesmo após ter ouvido de um diretor: “Todos que optaram por esse local, no Malawi, desistiram”.

Claro que essa obstinada brasileira não vacilou. “Nunca me peguei em dúvida de nada. Praticamente tudo na minha vida foi guiado. Não sei explicar”, diz, com certo mistério.

No Malawi, encontrou uma realidade de extrema miséria. “Os primeiros meses foram difíceis. Um dia, depois de percorrer os vilarejos, cheguei cansada, vi que ainda tinha luz e decidi cozinhar. Preparei tudo e quando comecei a separar os legumes, a luz foi cortada. Chorei de angústia, de desespero. Nesse momento, alguém bateu na minha porta. Era um refugiado que tinha decidido vir compartilhar a sua história.” Depois de ouvir o relato, chorou, mas chorou pela dor do outro.

O Campo de Refugiados foi construído há 24 anos.  Começou com nove mil pessoas e hoje abriga 44 mil, vindos principalmente do Congo, Burindi e Ruanda. Dessa população, 22 mil são crianças e 10 mil não têm acesso à escola por falta de vaga.

Os refugiados não podem sair e entrar na cidade sem permissão do governo. A energia elétrica fica disponível somente seis horas por dia e não há água. A alimentação mensal consiste em 2 quilos de feijão, 1 quilo de soja, 6 quilos de farinha de milho e 200 ml de óleo. “Aqui ninguém tem o direito de sair, estudar ou trabalhar. A pessoa não é mais uma pessoa. Vira número.”

Como conseguem (sobre)viver? “Ubuntu”, diz rápida, decifrando o sentido da expressão: “Eu sou o que sou porque somos todos nós”.  Ubuntu é uma antiga filosofia africana que promove a união, assim como o compartilhamento do pouco que se tem.

Uma nação de verdade

Para definir seu desafio no Malawi, Clarissa, com uma bicicleta, começou a percorrer as comunidades e em cada pedalada uma descoberta. Entre elas, crianças tendo aulas debaixo das árvores.

Ciente da precariedade do ensino local, arregaçou as mangas e decidiu pela construção de escolas. “Iniciei campanhas pelas redes sociais, entre os amigos, a família, de modo que conseguiria o material, e a comunidade, em mutirão, faria o tijolo de barro e a estrutura do local”.

Com a chegada da Fraternidade Sem Fronteiras, que já realizava ações em Moçambique e Madagascar, o projeto ganhou força e o nome Nação Ubuntu. Vale destacar que os ubuntus, por serem rejeitados pelos seus governos de origem, perdem a nacionalidade. “Eles são considerados pessoas que possuem uma tribo, mas não uma nação”, explica Clarissa.

Nessa luta diária, em pouco mais de um ano, a Nação Ubuntu é realidade. Conta com uma estrutura de 10 salas de aula prontas e mais duas em construção, que irão atender, inicialmente, 136 crianças. Para os adultos, foram instalados espaços para workshops de costura, artes e biocarvão. “Outras ações sociais estão nos planos, como a continuação do refeitório, interrompida por falta de recursos, e um número maior de salas de aula e oficinas de trabalho, entre tantas outras iniciativas”, adianta.

Clarissa lembra que todas as pessoas no mundo podem participar da continuidade e manutenção da Nação Ubuntu, e de outros projetos humanitários da Fraternidade Sem Fronteiras, bastando se tornar um padrinho ou madrinha. As informações estão disponíveis no site https://www.fraternidadesemfronteiras.org.br/

Serviço

IV Encontro Fraternidade Sem Fronteiras

Onde: Pavilhão de Exposições, Anhembi – São Paulo/SP – Av. Olavo Fontoura, 1209, B. Santana.

Quando: 17 a 19 de abril de 2020

Ingressos: R$150 (inteira) e R$75 (meia) – acesso aos três dias do evento.

Informações: https://www.fraternidadesemfronteiras.org.br/encontrofsf/

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