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Projeto Brasil, um coração que acolhe passa por reestruturação e triplica a capacidade de acolhimento aos refugiados e migrantes venezuelanos

Em Roraima, são quatro frentes de trabalho com até 1500 acolhidos

Por Taemã Oliveira, assessoria de imprensa FSF/Boa Vista – Roraima 

fotografia | Mayra Mendes

 

O Projeto Brasil, um coração que acolhe, da Organização humanitária Fraternidade sem Fronteiras (FSF), localizado no estado de Roraima passa por uma reestruturação e triplica a capacidade de acolhimento aos refugiados e migrantes venezuelanos, passando de 500 para 1500 acolhidos. A mudança foi necessária devido ao crescimento do fluxo migratório na fronteira entre Brasil e Venezuela e faz parte de uma reorganização da Operação Acolhida do exército brasileiro.

fotografia | Mayra Mendes

No início deste ano, o Projeto Brasil, um coração que acolhe assumiu a coordenação civil de mais um Centro de Acolhimento, o Pricumã, localizado também em Boa Vista – capital do estado de Roraima. Até 2021,  a Fraternidade sem Fronteiras era a única organização civil que mantinha um Centro de Acolhimento com recursos próprios provenientes do apadrinhamento, o Centro de Acolhimento São Vicente 2. 

fotografia | Mayra Mendes

“No segundo semestre de 2021, nos submetemos a um edital da Agência da ONU para refugiados no Brasil, o ACNUR, para o ciclo de operações 2022-2023. Fomos selecionados para manter a parceria com o ACNUR, que agora já vai para o terceiro ano consecutivo, e assim conseguiremos continuar potencializando o alcance do projeto em favor dos refugiados e migrantes venezuelanos que buscam novas oportunidades no Brasil.”, explica Arthur Dias, Gerente do Projeto.

Foi necessário um planejamento para a implantação das mudanças, entre elas: os acolhidos do Centro de Acolhimento São Vicente 2 foram transferidos, aos poucos, para o Centro de Acolhimento Espaço Emergencial 13 de Setembro, que também ampliou a capacidade de acolhimento, de 270 pessoas para quase 500 pessoas. 

fotografia | Mayra Mendes

Com este remanejamento e agora com o apoio do ACNUR para a manutenção básica dos centros de acolhimento, os valores do apadrinhamento e das doações únicas passam a ser direcionados para o melhoramento da assistência aos nossos acolhidos como a complementação alimentar, capacitação profissional, interiorização e o principal: para a manutenção do Centro de Capacitação e Referência que agora é 100% mantido com recursos provenientes de doações. 

fotografia | Mayra Mendes

“O apadrinhamento é cada vez mais importante. O Centro de Acolhimento Pricumã tem muitos idosos e pessoas com doenças crônicas, doenças em geral, sem falar nos menores de idade desacompanhados. É no cuidado redobrado que precisamos ter com esse público, como o apoio com medicações, transporte para atendimento de saúde especializado, alimentação especial, que as doações serão fundamentais”, explicou Vanessa Epifânio, Coordenadora de Operações do projeto em Roraima. 

O Projeto segue com quatro frentes de trabalho, sendo três em Boa Vista e o Centro de Capacitação e Referência em Pacaraima, cidade na fronteira entre Brasil e Venezuela. Para as novas demandas, a equipe de colaboradores também foi ampliada, 11 novas vagas de emprego foram abertas para o início das atividades no novo centro de acolhimento, sendo três delas para profissionais responsáveis pela interiorização dos acolhidos.

“O principal desafio para 2022 é encontrar um local para as pessoas que estão aqui no Brasil sem família, nem amigos. Acabam restando poucas vagas para elas. Outro ponto é o novo Centro de Acolhimento, o Pricumã, que tem muitas pessoas com problemas de saúde. Nem todas estão aptas ao trabalho e outras não estão aptas a qualquer trabalho”, explicou Juliana Lopes, líder de interiorização do projeto. Para ela, a interiorização é a melhor saída para as famílias que não conseguem emprego em Roraima e quem possa acolher essas famílias com todo o suporte será muito bem-vindo. 

Desde 2017, já são quase 1500 interiorizações, um recomeço para quem chega ao Brasil em busca de novas oportunidades. 

fotografia | Mayra Mendes

“Nós gostamos muito do São Vicente 2. Vivemos como comunidade. Participamos de tudo. Cozinha comunitária, limpeza, cursos, sala de costura. Sabemos que a mudança vai ser boa para todos. É uma mudança para melhor”, disse Carlos Castro, acolhido por oito meses no Centro de Acolhimento São Vicente 2 com a esposa e os 3 filhos.

São Vicente II sendo desmontado

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