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Brasil, um coração que acolhe: uma jornada de pai e filho

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Pai e filho partiram da Venezuela para o Brasil buscando uma chance de melhor prover para toda a família deixada para trás. Uma notícia comum de se ler nos últimos meses. Lá, o pai, Servio Ramon e o filho Servio Gabriel, trabalhavam no ramo de fazenda e assim sustentavam suas famílias. Para chegarem até o Brasil, se uniram e partiram em busca de melhores condições como imigrantes. Ao desembarcarem em Boa Vista passaram as primeiras cinco noites na praça Simon Bolivar.

“Nosso caminho até o Brasil foi longo. Meu pai e eu vivíamos em estados diferentes na Venezuela. Passamos por muitas cidades até chegarmos em Boa Vista, onde ficamos por quatro meses no centro de acolhimento da Fraternidade sem Fronteiras”, conta o filho Gabriel.

 Antes de serem acolhidos porém, a parada foi na praça central de Boa Vista que costumava reunir um grande número de imigrantes venezuelanos e foi lá que eles foram encontrados por voluntários da Fraternidade. “Creio que foi Deus que enviou os dois. Já fazia cinco dias que dormíamos na praça e na última noite chegaram duas pessoas nos falando sobre o centro da Fraternidade e dizendo que lá era muito organizado. Meu pai decidiu que iria conhecer, depois ele voltou com a Vanessa para me buscar e ficamos lá até o dia de virmos para Uberaba/MG”, contou Gabriel.

 Ao serem acolhidos, conheceram Luciano Castro, um economista voluntário que viajou a Roraima para participar da caravana que cadastrava os currículos dos venezuelanos na ação “Trabalhar para Recomeçar”. “Durante o cadastro, na conversa com o filho, descobri que o pai sabia mexer com inseminação de gado. Lembrei na hora de um amigo meu que precisava dessa mão de obra”, contou o voluntário.

Luciano fez contato com o amigo, enviou os currículos e pai e filho acabaram passando por todo o processo seletivo. “A empresa que contratou eles, contratou porque precisavam. Eles passaram por todos os processos como se fosse a contratação de um brasileiro. Os donos ligaram na Venezuela para checar as referências que estavam no currículo”, afirmou Luciano.

“A noticia de que Luciano iria nos ajudar me tocou muito. Me identifiquei com ele desde o começo. Ele escutou minha história, foi muito receptivo conosco e nos ajudou em cada etapa até conseguirmos todos os documentos que precisávamos para sermos contratados. Ele é uma pessoa de um grande coração”, afirma Gabriel.

Hoje, Ramon e Gabriel vivem em uma casa dentro da fazenda da empresa, toda mobilhada. Tem alimentação no café da manhã, almoço e janta, e conseguem mandar um bom dinheiro para a família.
Segundo Gabriel, o plano agora é trazer o restante da família que ainda está na Venezuela. “Meu maior sonho atualmente é crescer aqui, é chegar mais longe, é aprender mais, é dar o melhor de mim e conseguir trazer minha mãe e minha irmã mais nova”.

Pai e filho ainda recebem aulas de português de voluntários que se propuseram a ajudar. “É um sentimento muito bom de ajudar a trazer de volta a dignidade dessas pessoas que deixaram tudo para trás para recomeçar no desconhecido”, contou Luciano.

  

“Todos aqui são maravilhosos e nos ajudam muito. O nosso patrão reuniu todos os funcionários para conversar sobre a nossa chegada, então todo mundo foi bem receptivo, nos ajuda a nos comunicarmos e isso é muito bacana. A Fraternidade foi para mim uma porta para esse recomeço”, desabafa Gabriel.

“A Fraternidade sem Fronteiras é uma luz no nosso caminho e lá dentro tem um anjo chamado Luciano. Estamos imensamente agradecidos por essa ajuda”, finaliza o pai, Servio Ramon.

Luciano durante a caravana para Roraima, onde conheceu Gabriel e Ramon

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