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O SONHO QUE MOVIMENTA

Fernando abraçando Tajiris

“Eu sonhei com uma menina. Sonhei três vezes com ela. Um dia vi a foto de uma menina muito igual a que aparecia no meu sonho em uma reportagem que falava sobre a crise imigratória na Venezuela. Ali entendi que deveria fazer alguma coisa em prol disso”.

A fala é de Fernando Rangel, um jovem que junto a mais nove pessoas está à frente de um trabalho que vai interiorizar 10 famílias venezuelanas, proporcionando nova vida e esperança a pessoas que fugiram da dura realidade enfrentada em seu país de origem. 

Fernando descobriu o projeto da Fraternidade sem Fronteiras (FSF) “Brasil, um coração que acolhe”, depois que começou a pesquisar sobre as iniciativas em prol dos venezuelanos que chegavam ao país. Em outubro de 2018, reuniu amigos e juntos, começaram a se organizar para interiorizar a primeira família.

“Dentro do nosso grupo fizemos uma divisão, na qual cada um é responsável por uma parte do processo. Por exemplo, um ensina português para a família; o outro é responsável por matricular as crianças na escola e cuidar da saúde mental; outra pessoa cuida da saúde física, leva a médicos e etc; e outra cuida de arrumar emprego e realizar tarefas rotineiras com eles para ajudá-los a se habituar; além da arrecadação de fundos e por aí vai”, conta Fernando.

O grupo, intitulado Refúgio 343 (nome referente ao número da casa da primeira família interiorizada por eles) é formado por Fernando Rangel, Laura Fatio, Guilherme Sperandio, Mari Mugnaini, Marcelo Baptistella, Gabriel Novais, Claudia Fatio, Katiucia CSahd, Marcelo Borges, Natasha Valesca, Amanda Gauss e Suelen Nina e juntos os 12 mantém todas as despesas da família como alimentação, aluguel, água, luz, transporte, saúde e etc, por três meses. A partir desses 90 dias, o grupo se responsabiliza apenas pelo aluguel da casa por mais três meses. Do sétimo em diante, a família começa a se manter de sozinha de forma integral.

“Nós temos um termo de responsabilidade com a FSF e com a família sobre esse processo. Tudo é bem explicado e detalhado para eles”, explica Fernando, que continua, “damos todo o suporte na hora de arrumar um emprego para que eles possam se manter tranquilamente ao final desses seis meses”. 

Chegada da primeira família

A primeira família interiorizada pelo grupo chegou à São Paulo/SP na quinta-feira (20), data onde se é “comemorado” o Dia do Refugiado. Nada poderia ser mais significativo para a causa que esse acolhimento.

A família, que é composta pelos pais, Tajiris Cristina Maita Aray e Hector José Serrano Aray e pelos dois filhos, Hector Luis Serrano Maita, de 12 anos e Tayler Jeuss Serrano Maita, de cinco, foi recebida com muito amor e alegria por um grupo de 17 pessoas que prepararam até cartazes de boas vindas. “Foi muito lindo, todo mundo chorou bastante”, compartilha Fernando, que continua: “depois tivemos um momento com eles no aeroporto, onde sentamos no chão e realizamos uma dinâmica. Foi muito bacana”.

A família estava há cinco meses no Centro de Acolhimento da FSF, em Boa Vista/RR. Os pais vieram primeiro somente com o filho de cinco anos, depois voltaram para a Venezuela e buscaram o mais velho. A maior parte do dinheiro que conseguiam juntar em Boa Vista mandavam para a família na Venezuela. O filho mais novo, Tayler, começou a ter convulsões devido ao estresse emocional de todo o processo de imigração pelo qual a família passou. Uma consulta médica particular para o menino já foi agendada pelo grupo.  

Mais nove famílias em 90 dias   

O objetivo do Refúgio 343 agora é levantar recursos para interiorizar mais nove famílias venezuelanas que estão no Centro de Acolhimento da FSF em Roraima. Segundo Fernando, o preço por família é de mais ou menos R$ 20 mil – somando os seis meses de apoio que o grupo oferece.

“O que queremos mostrar com isso é que, quando juntamos nossas mãos tudo fica mais fácil e nada pesa. A divisão de tarefas e o apoio de cada um faz com que realizemos o inimaginável. Por exemplo, para a família do Hector e da Tajiris conseguimos arrecadar todos os móveis da casa em quatro dias”, conta Fernando, que finaliza: “todo mundo pode participar e toda ajuda é bem-vinda. Mesmo que você pense que não tem nada a oferecer, se tiver 15 minutos do seu dia que pode dedicar à causa, é uma ajuda”.

É uma matemática simples: o sonho de Fernando o impulsionou a agir. O nosso sonho nos impulsionou a agir. O sonho do Fernando mais o nosso sonho somado ao seu nos fará chegar onde ainda só imaginamos. Vamos juntos?
Apadrinhe essa causa, faça parte desse movimento de amor.

Você que é de São Paulo/SP e região e quer ajudar o grupo a interiorizar mais nove famílias, é só entrar em contato pelo e-mail frangelqoliveira@gmail.com. 

Quer conhecer mais sobre o projeto Brasil, um coração que acolhe? Clique aqui.

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