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Famílias venezuelanas recomeçam vidas em Campinas (SP)

Refugiados estavam em RR, no Centro de Acolhimento da Fraternidade sem Fronteiras

Por Lucas Pellicioni, Assessoria de Imprensa.

Brasil: Um coração que acolhe. As palavras que dão nome ao projeto de acolhimento de refugiados venezuelanos em Boa Vista (RR), da Fraternidade sem Fronteiras (FSF),  ganham mais sentido a cada família que recebe um novo lar. No dia 17 de maio de 2019, duas famílias – Flores e Aray, recomeçaram suas vidas em Campinas (SP) após saírem do Centro de Acolhimento, mantido pela FSF na capital de Roraima.

O processo de acolhimento dos refugiados se chama “interiorização” e é intermediado pela própria Fraternidade, por pessoas ou instituições que se voluntariam nessa missão de garantir dignidade a cidadãos nesta situação de vulnerabilidade.

No caso dessas duas famílias que ganharam novas oportunidades em Campinas (SP) – nos próximos meses chegarão mais três – todo o processo é feito por pessoas dispostas a ajudar: Wania Elias Faria, voluntária e coordenadora das doações da FSF na região, se juntou ao pastor Eduardo Nazareno e à Alba Marina Gonzale, ex-coordenadora do Centro de Acolhimento da FSF em Boa Vista, para criar uma casa de acolhida na cidade paulistana.

Casa de acolhida comporta 5 famílias.

Os três, com a ajuda de toda uma rede de apoio formada por fiéis da igreja, vizinhos e amigos, alugaram uma casa, mobiliaram e doaram alimentos, roupas e produtos de higiene pessoal, para acolhê-los. “Nossa casa comporta cinco famílias, cada uma com seu quarto, camas e armários. Tudo feito com muito carinho”, conta Wania.

Catlymar Flores, 23, é uma das acolhidas pelo generoso projeto. Ela foi a primeira a chegar em Campinas(SP), com o marido e uma filha. Entrou no Brasil em fevereiro do ano passado, em Boa Vista (RR), e ficou no Centro de Acolhimento da FSF por 11 meses; foi encontrada na rua por voluntários da Organização. No local de acolhida, na capital da fronteira com a Venezuela, recebeu alimentação, cuidados médicos e aulas de português.

Espaços são confortáveis e garantem dignidade.

Com mais dois filhos que estão em seu país com sua vó, Catlymar tem a esperança de a partir de agora conseguir estabilizar a vida e trazê-los para morar com ela: “Meu marido já está trabalhando e nós temos um espaço muito bom aqui. Foi tudo muito difícil quando cheguei, mas agora tenho esperança”.

Acolhida para recomeçar – No Centro de Acolhimento da FSF, em Boa Vista, os nossos vizinhos recém chegados recebem assistência e um lugar para ficar, mas este não deve ser definitivo. É um espaço de passagem e adaptação.

Para Wania, a interiorização é fundamental para que os venezuelanos sejam inseridos na sociedade brasileira: “Para que consigam trabalhar e ter esperança de uma vida melhor, estas famílias precisam encontrar novos lares. Nosso papel é auxiliar nesses processos e orientar nas adequações culturais. Algumas diferenças entre brasileiros e venezuelanos geram sofrimentos e podem resultar em insucesso na interiorização”.

A Fraternidade sem Fronteiras chegou à Roraima em outubro de 2017, quando iniciou a construção do Centro de Acolhimento, onde as famílias recebem alimentação, orientação para serviços de saúde e educação, têm aula de português e dividem responsabilidades nos cuidados com o ambiente. Desde então, 284 pessoas foram acolhidas em outras cidades por voluntários da Organização.

Centro de acolhida em Boa Vista oferece refúgio, alimentação e aulas de português. (foto: Bruna Bittencourt)

Segundo Arthur Dias, responsável pelas interiorizações do projeto “Brasil: um coração que acolhe”, os estados que mais receberam os refugiados venezuelanos foram São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Desse total, 59 foram interiorizados por reuniões familiares, ou seja, recebidos por membros da família ou amigos que já se encontravam em alguma outra região do Brasil. “Nesses casos, a Fraternidade sem Fronteiras ajuda com as passagens das viagens”, explica.

Além das logísticas de acolhimento, a Fraternidade trabalha na adaptação cultural dos vizinhos. Ele ainda esclarece: “São muitas as diferenças no modo de viver, então nós também fazemos esse direcionamento. Desenvolvemos atividades e metodologias que reduzem essas diferenças; por exemplo, criamos uma cartilha em espanhol com algumas regras e costumes brasileiros para que eles possam ter mais facilidade e informações para se adaptar”.

No site da Organização, além de poder apadrinhar um projeto, doando 50 reais mensais, ou fazer doações avulsas, para manter o Centro de Acolhimento funcionando, também é possível se cadastrar para acolher uma família. Saiba mais aqui.

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