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“Catarina Maria nasceu e provou que a última palavra é a de Deus”

| | Blog, Microcefalia

Catarina Maria durante o III Encontro FSF

Se você acompanha um pouquinho o projeto Microcefalia, amor sem dimensões, já ouviu falar na história da menina Catarina Maria. A criança que inspirou a Dra. Adriana Mello a pesquisar sobre a microcefalia e descobrir assim a ligação entre a doença e o zika vírus, tem ganhado os corações por onde passa por razões óbvias: a primeira é que ela é uma criança cativante, e a segunda é porque o seu progresso chama a atenção de qualquer pessoa que não tenha se atentado ainda, ao fato de que microcefalia quanto mais cedo se trata, melhor a criança se desenvolve.

Conceição Alcantara, mãe da Catarina, conta que teve zika vírus na sétima semana de gestação e aos sete meses descobriu que havia algo diferente com a filha, que nasceria em dois meses. “Eu me lembro que me desesperei bastante porque a gravidez da Catarina foi muito planejada. Eu tomei todos os cuidados possíveis”, conta ela.

Dra. Adriana Melo durante III Encontro FSF

A Dra Adriana, médica obstetra, que atendeu Conceição desde o início, começou a perceber que muitos casos iguais ao de sua paciente estava acontecendo e por isso iniciou uma pesquisa. “Ela me ligou perguntando se eu havia tido alguma doença enquanto grávida. Quando eu disse que sim, ela me convidou para participar de uma pesquisa na esperança de descobrir o que poderia estar acontecendo”, relata Conceição.

Ao estudar o caso de Catarina, a Dra Adriana percebeu que não poderia ser feito nada para impedir a doença, mas que muito poderia ser feito para ajudar na prevenção.  Assim, ao buscarem por respostas, Conceição e a Dra Adriana criaram um elo de amizade profundo que permanece até hoje.

“Eu escutei coisas muito pesadas de um médico especialista em Medicina Fetal, dizendo que a Catarina poderia nem nascer e se nascesse viveria em estado vegetativo”, desabafa a mãe.

Catarina Maria com o pai, Mario

Mesmo com um diagnóstico desfavorável, Conceição e o esposo, Mario, continuaram na luta para não somente conseguirem colocar Catarina no mundo, mas também para oferecer uma boa qualidade de vida a filha.    

No dia 5 de fevereiro de 2016, Catarina nasceu e passou por uma série de exames. “Eu costumo dizer que ela nasceu mostrando que Deus é Deus”, conta a mãe, que continua, “eu sou formada em fisioterapia e comecei, desde cedo, a trabalhar a estimulação de Catarina em casa e isso fez toda a diferença”.

Nessas idas e vindas entre pesquisas e fé, ao acompanhar de perto o caso de Catarina, nasceu no coração da Dra. Adriana Melo o sonho de criar um centro que acolhesse essas crianças com microcefalia.

Desenvolvimento de Catarina

“Com seis meses de idade, eu fiz um vídeo da Catarina, no qual pedia para ela ficar estátua e ela ficava. Naquele momento a Dra. Adriana me contou que percebeu que Catarina entendia os meus comandos”, explica Conceição.

“Foi ao ver esse vídeo que eu percebi que estava errada e que essas crianças com sequelas do zika poderiam sim se desenvolver, desde que tivessem um tratamento já nos primeiros dias”, explica a Dra. Adriana.

A diferença entre Catarina e as outras crianças foi o estímulo que a mãe, fisioterapeuta, provocou nela desde o início.

Depois que foi inaugurado o Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq), em Campina Grande/PB, Conceição continuou como fisioterapeuta da filha e de outras crianças dentro do Ipesq.

Hoje, com três anos, a menina já dá seus primeiros passos e frequenta a escola. “Foi muito difícil, eu e o Mario (pai da Catarina) sofremos bastante para deixá-la. O mais incrível foi que ela nem ligou, nunca chorou na escola em nenhum momento e no final das contas foi a melhor decisão que já tomamos”, conta Conceição, que continua, “na escola ela está interagindo melhor e descobrimos que ela ama livros. Catarina é o exemplo de que amor, união, fisioterapia e cuidados fazem com que a vida se torne vida. Ela vai ter as limitações dela, sabemos disso, mas ela nasceu e provou que a última palavra é a Deus”, desabada Conceição.

IPESQ e FSF

A Fraternidade sem Fronteiras (FSF) abraçou a causa da Microcefalia, amor sem dimensões em 2017 e até hoje carrega uma alegria profunda por fazer parte desse projeto que tem mudado a vida de tantas crianças.

Durante o III Encontro Fraternidade sem Fronteiras, que aconteceu no Estádio Mineirão – em Belo Horizonte/MG, podemos conhecer de perto Conceição, Mario e Catarina Maria, a família que inspirou a criação do Ipesq como casa de apoio e tratamento.

“Estar em um evento desse é sentir o amor puro… não sei explicar. Me emocionei só de chegar lá”, comenta Conceição, que continua, “quando me encontrei com o Wagner (presidente da FSF),  agradeci muito porque o apoio da Fraternidade à essa causa não ajuda só a Catarina, mas também a tantas outras crianças”.

Para a Dra. Adriana Melo, a parceria proporcionou um sentimento lindo de esperança. “Nosso maior desafio foi encontrar pessoas que acreditassem na nossa causa e é por isso que eu costumo dizer que a chegada da Fraternidade sem Fronteiras nos trouxe esperança”, conta ela.

“O apoio da FSF nos ajudou a capacitar nossa equipe para termos os melhores resultados. Esse apoio nos ajuda a abrir cada dia mais vagas e acolher assim cada vez mais crianças”, explica Conceição.

Hoje o Ipesq atende crianças não só da Paraíba, mas de outros estados brasileiros e até da África. É de lá, mais precisamente da Angola, que vem Miriam Cambambi Batalha e sua mãe Suzana Cambambi. As duas conheceram o Ipesq por meio da FSF, após realizarem uma pesquisa online sobre Microcefalia.

Suzana e a Dra. Adriana durante o III Encontro FSF

Agora, já estão há seis meses no Brasil e segundo Suzana, o desenvolvimento de Miriam tem sido muito satisfatório. “Cada dia que passa é um dia de luta mas também de grande esperança”, conta Suzana, que continua, “eu tenho visto um desenvolvimento tão grande que até me surpreende. Sinto como se a Miriam tivesse à espera desse tratamento para poder se desenvolver”.

Segundo a Dra. Adriana, o vírus da zika começou no continente africano, porém lá ele ainda não causava microcefalia. Foi somente na Ásia que os primeiros casos da doença foram aparecendo e foi no Brasil que o vírus já com a microcefalia retornou para a África. Por isso para a Dra., receber a Miriam é muito importante. “De certa forma, nós temos uma responsabilidade quanto a isso, então ter a Suzana e a Miriam foi como se a gente pudesse tirar um pouco desse peso”, conta ela, que continua, “vendo a Miriam evoluindo tão bem me deu uma grande satisfação e ao mesmo tempo uma dor por pensar que existem crianças na África que ainda não tem esse tratamento”.

Para Suzana, ter conhecido o Ipesq e a FSF fez toda a diferença em sua vida e na vida de sua filha. “Pude perceber como é importante o amor ao próximo e como faz a diferença no mundo, essa vontade de ajudar. Alguém pode mudar a vida de uma pessoa no simples ato de levantar suas mãos e agir”, conclui ela.

A menina Miriam durante o III Encontro FSF

A gratidão no coração dessas mães nos motivam a acreditar que estamos no caminho certo. E essa parceria entre o Ipesq e a Fraternidade sem Fronteiras vai ganhar novas páginas. Estamos ansiosos e felizes com o quanto poderemos ir além no tratamento da microcefalia, ajudando a mudar o futuro de muitas e muitas crianças, não somente na Paraíba, mas também em Minas Gerais e por que não mais além?  

Sigamos juntos nessa estrada de amor e fraternidade, contando com você! Apadrinhe esse projeto, faça parte dessa causa de amor ♥  

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